Terça-Feira, 19 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Muito por fazer
Foi anunciado pela prefeitura nesta semana que começariam na quinta-feira os serviços de recomposição do pavimento de diversas ruas da cidade. Serão feitos reparos utilizando asfalto quente, de maior qualidade e durabilidade, pela empresa Dobil Engenharia, e também asfalto frio, para situações em que o estrago não é tão grande, com serviço da própria secretaria de Obras e Viação. Os trabalhos começariam na Av. Frederico Dihl, a mais danificada e que tem um trânsito intenso. É uma boa notícia, um alívio para a população. Algumas das principais vias da cidade estão em estado deplorável, vergonhoso até, porque passaram tempo demais sem manutenção, e as chuvas dos últimos períodos agravaram ainda mais o quadro. E não são apenas as vias pavimentadas. As ruas de terra, que não são poucas, estão em situação ainda pior. Buracos e crateras se proliferam. Não seria exagero dizer que a cidade toda, no que se refere a manutenção de vias, precisaria ser passada a limpo por inteiro. Entretanto, sabendo que o volume de demandas é gigantesco, perde-se um pouco do entusiasmo frente à notícia do “tapa-buracos”, porque a capacidade financeira da prefeitura é limitada, e o tal alinhamento da administração local com os governos estadual e federal, tão propagado na última campanha, ainda parece distante de se converter em recursos proporcionais às necessidades do município.
Dinheiro tem
A propósito, mais do que contatos políticos e lobbies junto ao Estado e à União, para se obter sucesso na busca de recursos é necessária a apresentação de projetos consistentes e bem elaborados, o que historicamente Alvorada tem dificuldade para desenvolver. É recorrente a alegação de diferentes ministros de que não conseguem executar seus orçamentos, não conseguem gastar a verba disponível em suas pastas, porque não recebem projetos adequados de quem pleiteia investimentos. E é fácil entender as razões desse dilema, quando a lotação de cargos nas administrações se dá em razão de critérios políticos e partidários, e não técnicos.
Na torcida
A classe política, acompanhada de lideranças empresariais e comunitárias do município, tem se movimentado bastante nos últimos dias em torno da busca de duas conquistas que são de interesse de todos os alvoradenses: a duplicação da Av. Frederico Dihl e a construção do Hospital Regional do Vale do Gravataí. Um bom exemplo que poderia inspirar outras ações. A soma de esforços, acima de interesses partidários e eleitorais, é o caminho para o que de fato deveria ser a atividade política: a busca de soluções para as demandas da sociedade. Esperamos que essas duas empreitadas continuem recebendo o empenho de nossos representantes no propósito honesto de servir à sociedade, e não se transformem apenas em material de propaganda para próximas eleições.
Embargado
A sociedade brasileira ainda não digeriu o voto derradeiro do decano Celso de Mello, que ofereceu mais uma mordomia à quadrilha dos mensaleiros. Como a Suprema Corte estava dividida ao meio, cinco a cinco, qualquer voto de desempate, fosse para um lado ou para o outro, teria a mesma legitimidade e a mesma correção jurídica, porque estaria acompanhado de metade do tribunal. Há uma máxima no meio jurídico que prega que, acima de tudo, deve ser preservado o Direito, mas quando este estiver contra a Justiça, esta última é que deverá ser defendida. O ministro Celso optou por um dos caminhos com o objetivo de observar normas do Direito, ainda que cinco outros tenham defendido, com a mesma eloquência, o caminho oposto com o mesmo propósito. A pergunta que fica é se foi feita, na decisão técnica do magistrado, o que chamamos de Justiça. A minha percepção e a da imensa maioria dos brasileiros é de que não.

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