Quinta-Feira, 25 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Tem coisa errada aí
O Congresso Nacional aprovou nesta semana o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2014, prevendo um total de despesas de R$ 2,4 trilhões, dos quais a educação absorverá 3,44% e a saúde corresponderá a 3,91% da totalidade dos gastos. Mas a impressionante quantia de R$ 1,002 trilhão (42% do orçamento) é destinada para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública! Esse privilégio aos “rentistas”, os que recebem esses pagamentos de juros, mostra que o endividamento é o maior problema do gasto público brasileiro, e afeta todas as áreas sociais, tendo em vista que o valor de R$ 1 trilhão consumido pela dívida corresponde a mais de 10 vezes o valor previsto para a saúde, a 12 vezes o valor para a educação, e a 192 vezes mais que o valor reservado para a Reforma Agrária. Defesa nacional fica com 1,72% do orçamento, segurança pública com 0,4%, cultura com 0,05% e saneamento com 0,04%.
Gente, peraí! 42% do nosso dinheiro, que o governo administra, vão para pagar juros e menos de 4% para a saúde? Menos de 4% para a educação? Menos de 1% para segurança pública? Ah, para com isso!
Quanto mais paga, mais deve
Enquanto isso, a dívida de estados e municípios junto ao governo federal também sofre com a esquizofrenia da matemática governista. O Estado do RS, por exemplo, devia uma grana ao Governo Federal em 1997, um pouco mais de R$ 10 bilhões. Após gigantescos pagamentos entre 1998 e 2012, que comprometeram 13% da receita de cada ano do Estado, ainda estávamos devendo R$ 42,6 bilhões no final do ano passado. Sim, devíamos 10, pagamos uns 8 e agora estamos devendo 40. As projeções mais otimistas indicam que nos próximos anos ainda vamos enviar ao governo federal mais R$ 834 bilhões, para encerrar os pagamentos em 2075. E isso que Dilma e Tarso são do mesmo partido...
Cupins e seus espaços no poder
Na última sexta, os funcionários da Câmara de vereadores foram dispensados mais cedo e as portas foram fechadas, porque havia sido contratada uma empresa para dedetizar o espaço e acabar com os cupins e outras pragas que se proliferam no local. Mas nesta semana percebeu-se que algo não funcionou. Revoadas de cupins ainda são frequentes e intensas. Na sessão de terça-feira, os vereadores e a plateia, que estavam na Sala Getúlio Vargas para acompanhar a divulgação da composição da nova mesa diretora, disputavam lugar com os amigos voadores. O mesmo ocorreu na noite seguinte, quando o movimento carnavalesco da cidade homenageou os que estiveram a frente e divulgando as suas atividades. Alguns foliões diziam que, afinal, o espaço é público e democrático, enquanto outros faziam referência bem humorada à baixa produtividade da casa, e que, por isso,as traças estavam tão à vontade.
Explica mas não justifica
Um jornal de grande circulação no Estado publicou uma página inteira, nesta semana, com reclamações de moradores de Alvorada sobre a baixa qualidade dos serviços públicos de responsabilidade da prefeitura, e o prefeito Serginho foi convidado a se explicar diante das queixas. O início da matéria dizia que “de todas as ligações diárias ao setor de atendimento ao leitor do jornal, pelo menos uma vem de Alvorada, se queixando da situação da cidade”. As reclamações iam dos buracos nas ruas à iluminação pública, passando pelo saneamento, recolhimento de lixo e o abandono de praças públicas. O argumento do prefeito foi que ele pegou “uma cidade quebrada”, com uma dívida enorme, mas que os trabalhos estão começando a ser feitos. A conferir a qualidade destes serviços.

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