Segunda-Feira, 29 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Tudo novo
Mais um ano chega ao fim, mais um ano inicia. Isso, por si só, não faz diferença alguma. A natureza desconhece calendários. O sol continua com a mesma atividade, a Terra continua girando, a lua segue seus ciclos, os bichos não fazem nem ideia do que significam dias, meses, anos. Só sentem que há algo mais barulhento no ar por esses dias, explosões e fogos, que ofendem a ordem natural das coisas, mas, fora isso, pra toda a natureza apenas seguem-se os dias, um após o outro, e sucedem-se as estações. Só esse bicho-homem, que foi brindado com um cérebro maior e mais capaz, é que cria convenções, acordos e regras e, em cima disso, ainda cria fantasias, crenças, superstições e toda a sorte de imaginação, aproveitando as faculdades de sua massa cinzenta criativa e privilegiada.
Nessa época, alguns desses bichos-homens passam a acreditar que um número diferente ao final daquela sequência de quatro números, a que chamam de ano, é que vai mudar o destino das coisas, é que vai fazer com que tudo seja melhor. Como se, num fenômeno mágico, tudo o que havia de ruim ficasse para trás, e em seu lugar surgisse a expectativa de tempos melhores, porque trocamos o último daqueles quatro números.
Já outros, menos apegados a crenças em forças alheias, e acreditando que eles próprios, não a natureza, não os números, não os deuses, são os que constroem seus destinos. Que são resultado de suas próprias escolhas e decisões. O que vem de bom ou de ruim, agora ou depois, é consequência do que foi construído antes por eles mesmos. Portanto um número diferente, ou um novo mês de um novo ano, não muda nada, se eles mesmos não tiverem mudado algo em suas próprias atitudes.
E há os que têm de tudo um pouco. Acreditam que são sujeitos e não objetos de suas trajetórias, protagonistas e não coadjuvantes, mas que devem algo de seus destinos a elementos externos, à conjuntura, à vontade divina, ao mau-olhado ou à sorte. Um tanto ao céu e um tanto à terra.
E há ainda os que juntam a tudo isso mais alguns ingredientes, aproveitando o momento que todos chamam de virada, ou de renovação, ou de réveillon, para pedir aquela ajuda a quem acreditam que possa fazer algo, ainda que por milagre, e certos de que deverão adotar novos procedimentos para obter novas conquistas, mas, sobretudo, utilizam ainda um pouco mais da capacidade de suas mentes e olham para trás antes de imaginar o que vem pela frente. Buscam aprender com o que passou, com seus próprios erros e acertos, e a partir daí dedicam-se a planejar seus próximos passos. Alguns até, com requintes de profissionalismo, traçam objetivos, definem metas e estratégias para alcançá-las, criam mecanismos de aferição de resultados e check-lists de tarefas. Não basta saber o que quer, tem que otimizar o processo e garantir os menores riscos e os melhores resultados. Mas, por via das dúvidas, acenda-se uma velinha.
Tem de tudo. Essa é a beleza da raça humana. Uma só espécie e tanta diversidade, tantos costumes, tantas culturas, tantas crenças, tantos desejos.
Então o que vale é a esperança, porque essa todos têm. Que o Ano Novo - não importa a forma como seja percebido, seja só uma data ou um novo ciclo ou só uma sequência de dias iguais a todos os outros - seja ao menos um pretexto para a reflexão, para a renovação e, principalmente, para cada um desses tipos descritos antes, e outros tantos ainda mais diferentes que têm por aí, a oportunidade de perceber que sempre podemos mais. Que, se não tudo, ao menos grande parte depende de nós. E se quisermos algo que nunca tivemos, façamos algo que nunca tenhamos feito. E que tenhamos a disposição não só para pedir, mas para fazer, e para oferecer.
2014 promete. Mas não esperemos que cumpra. Essa parte fica com a gente. E façamos todos juntos um feliz 2014.

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