Sexta-Feira, 28 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Política em família
Na primeira quinzena de 2014 os comandos da Prefeitura Municipal e da Câmara de Vereadores terão o mesmo sobrenome. O vice-prefeito Arlindo Slayfer (PSB) assumiu no dia 31 de dezembro a cadeira do prefeito Serginho durante as férias do titular, enquanto o vereador Valter Slayfer (PDT) foi conduzido à presidência do legislativo neste ano.
Governo ou oposição? Que situação...
Especula-se que neste período a aproximação do PDT com o governo municipal, liderado pelo PT, possa ser intensificada, dado o parentesco (e a boa relação) entre as duas lideranças. No governo anterior, os dois partidos eram ferozes adversários e concorreram em campos opostos, mas como tudo em política é relativo ao momento e às conveniências, a distância diminuiu sensivelmente em 2013 e, ainda que não assumisse oficialmente essa condição, o partido trabalhista já vinha sendo percebido por boa parcela dos eleitores como mais um integrante da base governista.
Tudo junto e misturado
Essas divisões entre situação e oposição são difíceis de entender. Muito utilizados em discursos de campanha e em debates acalorados de militantes de bandeiras diferentes, os argumentos de parte a parte, que procuram só desqualificar os opositores, não se sustentam por muito tempo quando confrontados com episódios cotidianos da política e da ocupação dos “espaços” do poder (ou leia-se “cargos”, como se preferir). Exemplo claro é o caso do candidato derrotado à prefeitura de Alvorada em 2012, Edson Borba (PTB), que desde meados do ano passado ocupa o posto de secretário adjunto na pasta do Trabalho e Desenvolvimento Social do governo Tarso Genro.
Um discurso aqui, outro lá
Borba não é caso isolado. A prática é recorrente no cenário político em todo o território nacional. Inimigos aqui, companheiros além dos muros. Repare nas alianças que começam a se desenhar para as eleições deste ano. Tudo conveniência. Sintoma claro da deterioração da política brasileira, onde há tempos imperam os interesses mais imediatos, eleitorais, e muitas vezes pessoais, em detrimento de programas partidários, de plataformas de governo, de visões de gestão pública. Coerência não faz parte do jogo político, faz tempo. Ideologia tampouco. Isso de esquerda e direita, socialismo versus neoliberalismo, é só vocabulário bacana pra eleitor desinformado, esse sujeito tão útil que acaba sendo atraído em cada nova eleição pelo discurso mais emotivo.
Enquanto em Alvorada os petistas ainda vociferam contra os “cartolas”, embora os queiram bem próximos, no plano nacional a militância do PT esculacha a turma do PSDB, a quem chegam a chamar de “direitalha” e outras coisas mais pejorativas (porque parece que nem mesmo eles têm mais a noção do que é a ideologia de direita que sempre combateram) e, no entanto, Lula e Dilma seguiram a mesma linha do governo de FHC, mantendo e ampliando as bolsas sociais criadas no governo tucano, favorecendo o grande capital privado,segurando a inflação com as mais altas taxas de juro básico do planeta, estimulando o crescimento econômico através do consumo em vez da competitividade da indústria, e por aí vai. Nunca antes na história desse país os bancos tiveram tanto lucro, nem a indústria automobilística, nem as grandes empreiteiras, e isso não é exatamente coerente com as ideologias de esquerda. Mas deixa pra lá. Como já foi dito, coerência não faz parte do jogo político.

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