Sábado, 25 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Reformas
O secretariado do prefeito Serginho está passando por mudanças. Após a exoneração da secretária de Direitos Humanos, Irany Teixeira, na última segunda-feira, correm informações de que outros nomes serão substituídos apenas um ano depois de assumirem suas funções.
A decidir
A pasta dos Direitos Humanos foi criada na gestão de Sérgio Bertoldi, e o nome da titular era uma indicação do Partido Progressista. O PP ajudou Serginho a se eleger e recebeu a nova secretaria como sua “cota” de participação na gestão municipal. Mas a saída de Irany, sem prévio aviso e que pegou muitos de surpresa, abalou a relação entre o partido e o governo. A direção do PP vai avaliar o episódio com cautela, para decidir se ainda se considera um partido da base de apoio do prefeito.
Água e vinho
Observadores atentos e com visão privilegiada dos labirintos do poder avaliam que o partido do prefeito esperava do PP uma atuação menos independente e mais submissa ao posicionamento ideológico do PT, o que se mostrou difícil de alcançar. Os dois partidos tem origens distintas e estatutos que usam referências ideológicas e programáticas distantes entre si. Por mais que o pragmatismo político tenha se tornado moda no Brasil, fazendo surgir aqui e acolá as alianças mais esdrúxulas para se chegar ao poder, em algum momento as diferenças começam a aparecer, e esses casamentos arranjados nem sempre conseguem ir adiante sem algum trauma.
Vale tudo
Um termo que se popularizou na era Lula foi “governabilidade”, e em seu nome qualquer acordo começou a ser considerado justificável. A tal governabilidade, ou, como o termo já foi traduzido nesta coluna, “a proteção dos interesses dos ocupantes do poder contra quaisquer ameaças”, tem se mostrado um elemento poderoso na política. Este sujeito intangível não raro define as regras e as condutas dos ocupantes do poder, com mais força até do que as demandas da sociedade de quem este mesmo poder deveria cuidar. A aproximação do PT com partidos publicamente considerados inimigos mortais até 2012, como o PDT, é um bom exemplo. Não causará surpresa se antigos desafetos sejam, assim, naturalmente, anunciados como integrantes da base, e até com nomes ocupando secretarias a partir dessa pequena reforma que Serginho está promovendo.
Balde de caranguejos
Uma expressão interessante para descrever o ambiente em que os que estão por baixo, para subir, puxam os de cima. Na semana passada o ex-secretário de Indústria e Comércio de Alvorada no governo Brum, Dilson Pila, foi convidado pelo prefeito de Montenegro, Paulo Azeredo, a assumir a mesma pasta naquele município, com o desafio de implantar por lá um distrito industrial, por causa de sua experiência exitosa na atração de empresas para a cidade e na ampliação dos distritos daqui. Mas a chiadeira por estas bandas foi grande, por parte de caciques do PDT local, partido do qual Pila havia se desfiliado há poucos meses. Como Paulo Azeredo, que é amigo pessoal de Pila, também é do PDT, os companheiros daqui colocaram areia na engrenagem e repudiaram a indicação. O clima ficou constrangedor, e Pila optou por declinar do convite, mas diplomaticamente alegou que a distância entre as cidades é o problema, já que seriam desperdiçadas mais de duas horas na estrada a cada dia.

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