Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Deserção ou salvação?
A médica cubana Ramona Matos Rodriguez, que abandonou o programa Mais Médicos e denunciou oficialmente o que quase todos já sabiam, é mais do que uma desertora. É um símbolo. Ilustra claramente a opressão da ditadura dos Castro sobre seu povo e a conivência do governo brasileiro com a longevidade daquele regime. Mais, o governo petista virou financiador da ditadura, usando um programa falacioso, enganosamente vendido aos brasileiros como a salvação do caos da saúde no Brasil, para enviar dólares à ilha comunista às custas do trabalho semi-escravo de milhares de cidadãos cubanos. Seguramente outros ainda terão a coragem de se juntar a Ramona e também denunciar esse escândalo. Os Estados Unidos já abrigam mais de cinco mil desses médicos cubanos que pediram asilo, depois de terem sido enviados a missões semelhantes em outros países. O número de delatores só não é maior porque suas famílias são tidas como reféns em Cuba, e sofrem forte represália do governo quando algum desertor abre a boca ou aproveita a missão no exterior para conquistar sua liberdade.
Porto lá, gargalo aqui
O investimento de mais de 2 bilhões de reais para a construção de um porto em Cuba, enquanto os daqui estão entre os menos eficientes do planeta e são uma das principais causas da falta de competitividade da indústria nacional, foi mais uma forma de patrocínio promovido pelo governo petista, que tem laços apertados com os mandantes cubanos. Dilma honrou sua origem guerrilheira, que teve forte orientação de experientes revolucionários cubanos, usando agora de seu poder para agradecer generosamente a seus mentores com essas iniciativas, que, aliás, não são as únicas nem terão sido as últimas.
Nada a declarar
A propósito, causa estranheza (ou não) o silêncio da secretária nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, sobre a denúncia do trabalho “análogo à escravidão” a que são submetidos os médicos cubanos em território brasileiro.
Esquisitices
A falta de água e de luz provocou cenas interessantes nas cercanias do poder nos últimos dias:
- A Câmara de vereadores dispensou os funcionários e cerrou as portas no turno da tarde da última sexta-feira por causa da falta de água. Se a moda pega...
- A prefeitura contratou um carro-pipa para encher as caixas d’água do prédio da administração.
- Funcionários da prefeitura foram vistos confortavelmente sentados dentro de carros oficiais, ao lado da prefeitura, com os vidros fechados e os motores ligados para desfrutarem do ar condicionado dos veículos durante o apagão desta semana, já que seus locais de trabalho ficaram mais quentes do que o desejável.
Curiosamente, a falta de água na prefeitura não foi causada por problemas na rede de abastecimento da cidade, mas pelo sistema interno do prédio, o que já foi alertado pela Corsan à administração municipal pelo menos três vezes, segundo a gerência local da companhia.
Quanto ao uso do ar condicionado dos carros oficiais, o maior problema nem seria o gasto de combustível durante meia hora em meia dúzia de veículos para refrescar dedicados servidores, nem o desgaste em razão de superaquecimento de motor e componentes, e nem ainda o fato de funcionários públicos não terem mais nada que pudessem fazer durante um período de falta de energia além de se refugiar do calor. A questão, como no caso da água, é, outra vez, o símbolo. A idéia que se passa é que a estrutura de poder serve para proporcionar benefícios a quem teve o privilégio de chegar lá.

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