Domingo, 19 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


ROJÕES E GRADES
A morte de Santiago Andrade, o cinegrafista da Band, é mais do que uma tragédia. Uma vida de um pai de família foi covardemente ceifada em um contexto que vai muito além de protestos por aumento de passagem, de violência extremada de baderneiros infiltrados e de manifestações de anarquistas mascarados misturados aos milhões de brasileiros revoltados com a decadência da política e com a falência da gestão pública no Brasil. A morte estúpida de Santiago é a ponta visível de um imenso iceberg. Além de tudo o que já vem sendo dissecado pela imprensa sobre o episódio, aparecem algumas perguntas intrigantes e alguns alertas que devem nos deixar de olhos bem abertos.
Primeiro, começa a ganhar força a tese de que os violentos baderneiros infiltrados nas manifestações desde junho do ano passado não estavam lá gratuitamente, e nem de maneira casual ou espontânea. Muitos teriam sido pagos para promover a quebradeira e recebido materiais dos mais diversos, como máscaras de gás, para estarem melhor aparelhados para as batalhas. A questão que fica: pagos por quem? E com que interesses? Seriam esses partidos da esquerda mais radical, os mesmos que mantêm em suas páginas da internet seus discursos de “luta de classes” e “fim da burguesia” e “instauração da ditadura do proletariado”? Ou seriam setores da inteligência do governo, que teriam percebido que a violência infiltrada iria acabar desmobilizando a sociedade que fora às ruas protestar democrática e civilizadamente? Ou ainda teria a violência sido patrocinada para se criar a sensação de que é necessário que a polícia aja com mais rigor em manifestações e que se criem novas leis para coibir o “terrorismo”?
Esse é um ponto em particular que deve nos deixar, cidadãos brasileiros, muito atentos, em ano de Copa e eleição. O Congresso, em sintonia com o governo federal, está mostrando uma celeridade intrigante, motivado pela comoção em torno da morte trágica do cinegrafista, para “aprimorar” a legislação e tipificar alguns “crimes” relacionados a manifestações populares. No calor do momento, parlamentares chegam a comparar quebradeiras de vitrines a “terrorismo” para justificar leis surpreendentes que teriam o objetivo final de coibir qualquer manifestação, daqui por diante, que viesse a comprometer o brilho da Copa ou, quem sabe?, a reeleição de Dilma. O gaúcho José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio de Janeiro, chegou a entregar um projeto de lei que criminaliza, com penas severíssimas, a convocação de manifestações pela internet. Da tribuna da Câmara e do Senado ouvem-se discursos em defesa de penas de até 30 anos (!) para manifestantes mais exaltados...
Nada justifica a quebradeira, a destruição do patrimônio público ou privado ou o risco à integridade física de pessoas, civis ou militares, durante manifestações por um Brasil mais justo, ético e eficiente. E é um absurdo que partidos ou instituições, sejam quais forem, patrocinem a violência, seja com o método e o objetivo que for. Mas ainda pior é utilizar esse mal, a quebradeira e o vandalismo, como pretexto para outros males ainda mais danosos, como a intimidação e o cerco à população, para que nem mais saia de casa a reclamar democraticamente seus direitos, com receio de cair na teia (e nas grades) dessa nova legislação que começa a ser desenhada por nossos “representantes”.
SOLIDÁRIO
O vereador Juliano Marinho participou do almoço no salão nobre da Federasul, na última segunda-feira, que reuniu alguns simpatizantes de José Dirceu com o propósito de arrecadar doações para pagar a multa imposta com a condenação do ex-ministro no processo do mensalão. A arrecadação no evento chegou a R$ 6,4 mil. Muitos outros desses almoços seriam necessários para alcançar o total de R$ 927 mil da multa de Dirceu, mas certamente os petistas e simpatizantes não terão dificuldades para juntar o dinheiro, como já demonstraram com José Genoino e Delúbio Soares.

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