Domingo, 19 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


COMEÇOU O ANO?
Passada a folia de carnaval, aulas recomeçando, veraneio chegando ao fim, parece que é hora de finalmente as coisas começarem a andar de novo. Parece. Mas a cultura do brasileiro não concorda muito com isso. Enquanto que em países “sérios” até na segunda e na terça-feira de carnaval tudo funciona normalmente, do comércio às bolsas de valores, no Brasil estende-se um feriadão desde a sexta-feira anterior até a quarta-feira de cinzas.
EXEMPLOS DE CIMA
Em Brasília, então, expediente só na quinta, e olhe lá. A começar pela presidente, que voltou do descanso na Bahia no final da manhã de quarta para, primeiro, reunir-se com Lula, Rui Falcão, presidente do PT, o marqueteiro João Santana e o jornalista Franklin Martins. A prioridade é traçar as estratégias para a reeleição, e não governar o país.
APARENTA MAS NÃO REPRESENTA
O Congresso não é diferente. Na quarta-feira apenas cinco senadores foram ao plenário, e resolveram fazer discursos para as cadeiras vazias e as câmeras da TV Senado, na esperança de conseguirem a simpatia de algum eleitor de seus Estados. Na Câmara dos Deputados nem mesmo houve sessão. Ficou o retorno esperado para a quinta-feira, mas, claro, era de se imaginar que não mais de uma dúzia de parlamentares iria a Brasília para um único dia de sessão, porque a cultura é de que a partir das tardes de quinta-feira não se trabalhe no parlamento brasileiro, bem como nas segundas e terças-feiras. Muito menos nos meses de janeiro, fevereiro e julho. Aí só com convocação especial, para dobrar os valores dos já gordos contracheques daqueles que nós somos forçados a colocar lá como nossos representantes.
MUITA DISTRAÇÃO, POUCO TRABALHO
Se já é um exagero brincar com a ideia de que no Brasil o ano só começa depois do Carnaval, quando na verdade por trás da piada existe uma triste constatação de que é isso mesmo, pior ainda é assumir com naturalidade que este é um ano perdido, já que agora as atenções se voltam à Copa e, em seguida, às eleições, e então finda-se mais um ano desperdiçado.
EXEMPLOS DO LADO
Nosso vizinho Paraguai tem causado inveja nos meios econômicos e políticos brasileiros. O país que tanto é alvo de nossas chacotas teve o terceiro maior crescimento do Produto Interno Bruto dentre todas as nações do planeta em 2013, alcançando o impressionante índice de 14,1%. Por aqui, o ministro da Fazenda Guido Mantega suspirou aliviado quando saiu o resultado do PIB brasileiro, e festejou um crescimento de 2,3%. E foram todos pular carnaval.
MUNDO PARALELO
Para a iniciativa privada não tem sossego. A prioridade é o trabalho, porque sem ele não tem renda nem crescimento. Mas para a política as coisas funcionam numa dimensão diferente. Algo de outro planeta ou do mundo da fantasia, mas qualquer coisa distante do mundo real. Porque se espera crescimento e desenvolvimento quando a prioridade é a gastança e o sossego, não o trabalho. Ganhar eleições, manter-se no poder, empregar familiares e companheiros, voltar a ganhar eleições. E gozar das generosas remunerações e benesses que o poder proporciona. E o país? E a cidade? Ah, vai se levando. Sempre se dá um jeitinho. Ou se faz uma propaganda bonitinha e emotiva, que o povão adora, que o importante agora é a Seleção.

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