Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Xiitas e a liberdade de informação
O atual presidente do Irã, Hassan Rohani, que sucedeu o polêmico Mahmoud Ahmadinejad, surpreendeu a muitos defensores das liberdades individuais e dos direitos humanos que costumavam usar o Irã como exemplo de regime totalitário e avesso às conquistas da democracia moderna. Na semana passada, ¬¬Rohani criticou as autoridades judiciais de seu país que pedem ou determinam o fechamento de jornais que critiquem o governo ou publiquem notícias que não estejam alinhadas com o regime. Nada mais natural em uma sociedade moderna esse tipo de postura, tanto quanto é absolutamente descabido o cerceamento à livre informação, especialmente ao serviço jornalístico.
Já aqui em Alvorada às vezes percebemos atitudes que vão justamente na contramão dessas convenções. Também na semana que passou, mais precisamente na sexta-feira, um funcionário da prefeitura recolheu todos os exemplares do Jornal A Semana que conseguiu encontrar, por não ter concordado com o conteúdo de uma notícia. Privou cidadãos alvoradenses de terem livre acesso à informação, por considerar inoportuna aos interesses de comunicação da prefeitura uma das dezenas de notícias publicadas naquela edição.
A reportagem em questão, com fotos, referia-se ao bloqueio da rua Bento Ribeiro, feito por moradores que há mais de um ano cobram soluções da prefeitura para os problemas causados pela interdição de um pontilhão na rua Carlos Barbosa.
Cuba, Venezuela, Coreia do Norte e outros regimes pouco simpáticos aos interesses democráticos adotam procedimentos semelhantes, mas não era de se esperar que por aqui, em uma cidade governada por um partido que se diz “democrático e popular”, as pessoas também pudessem ter acesso somente à informação que agrade ao governo.
Pode não ter sido um gesto solicitado ou autorizado pelo prefeito, mas foi de alguém responsável pelo setor de comunicação social da prefeitura, e que, apesar de receber a oportunidade de se empregar em nossa cidade, com seu salário pago com o dinheiro dos contribuintes daqui, representa o governo que o empregou. O autor do gesto, impulsivo e certamente movido mais por paixões ideológicas do que por interesses democráticos, que inclusive fez questão de publicar em sua página do Facebook a atitude de “recolher todos os exemplares”, não é morador de Alvorada. Veio para cá apenas para ocupar um Cargo em Comissão no atual governo, e talvez por isso mesmo não esteja ainda habituado às práticas mais democráticas que nossa sociedade demanda de seus funcionários públicos.
Apetite
A epopeia que o PMDB está promovendo em Brasília, ensaiando uma rebelião contra o governo de Dilma Roussef, não passa de demonstração de força e poder para abocanhar uma fatia maior do aparelho governamental. O apetite por cargos, salários e outras benesses do poder tem se mostrado maior que a vontade de servir ao país, tão alardeada nas propagandas partidárias.
E também não é nada surpreendente. A prática é algo rotineiro na política brasileira, que virou arena de batalhas por “espaços” no poder, não mais debates ideológicos ou programáticos, há muito tempo. A surpresa agora é apenas por conta do tamanho da mobilização e do oportunismo dos peemedebistas, em que outros aliados pegam carona, às vésperas de mais uma campanha eleitoral, demonstrando a total falta de pudor mesmo diante da opinião pública. Esse é o tipo de coisa que precisa urgentemente mudar em nosso país, e foi o clamor que as ruas começaram a emitir em junho do ano passado, e que esperamos que as urnas em outubro deste ano continuem a reverberar, mas que boa parte desses nossos “representantes” teima em não querer ouvir.

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