Sexta-Feira, 28 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Adesões e rachas
Lideranças petistas e petebistas estão tendo certa dificuldade para oferecer argumentos convincentes às respectivas militâncias, desde que se oficializou a entrada do PTB no governo do Professor Serginho. Com a criação da secretaria municipal dos Direitos Humanos, cuja titular, Mari de Bortoli (PTB), assumiu a pasta na semana passada, políticos de ambos os partidos passaram a posar juntos em fotografias oficiais, transparecendo uma sintonia que era impensável há poucos meses.
A militância de ambos os partidos foi bastante estimulada a tratar-se mutuamente com muita rigidez, explorando ao máximo as fraquezas um do outro. Xingamentos de lado a lado eram rotina em 2012, durante a campanha eleitoral, e até pouco tempo era frequente petistas ridicularizando “cartolas” e petebistas desdenhando os “petralhas do Banco Santos”, entre outras amenidades. E, não mais que de repente, surgem suas lideranças abraçando-se e compartilhando nacos do poder.
A adesão petebista ao governo do PT não é unanimidade. Há lideranças de ambos os lados que torcem o nariz, mas não tiveram força para impedir o que a atual administração julgou necessário para a “governabilidade”. O ex-prefeito Carlos Brum chegou a publicar uma nota para “lamentar o ingresso de alguns companheiros(as) no governo municipal”. Descreveu o episódio como “uma adesão barganhada por cargos”, disse que o lugar do PTB é na oposição e que “aproveitadores” que já deixaram “um rastro de traição e destruição” em outros partidos estão agora “fazendo o mesmo com o PTB”.
Alinhamento das estrelas
O governo Serginho segue a lógica da Brasília dos 39 ministros. Para garantir ampla base de apoio, cria mais cargos para oferecer a partidos que, sem estes “espaços” no poder, seriam incômodos no lado oposto da trincheira. Desta forma, além de atrair siglas importantes para junto de si — compensando na arena política a falta de apoio que se percebe nas ruas —, ainda consegue a proeza de rachar esses partidos por causa da falta de consenso interno, o que acaba por enfraquecê-los e, em consequência, fortalecer o próprio comando. Em termos de estratégia política, Maquiavel aplaudiria. Resta imaginar que benefícios a cidade poderia desfrutar dessa nova aliança, depois de passado o espanto.
Ociosidade
Não há muito trabalho para o Legislativo em Alvorada. Nossa cidade não tem muitas demandas, não há necessidade de se pensar em projetos importantes para o desenvolvimento social e econômico de nosso município. Estamos com tempo para pensar em coisas menores, como mudança de nomes de ruas, por exemplo. Esse tipo de ironia transbordou nas redes sociais nesta semana, depois que foi divulgado que o vereador Juliano Marinho (PT) apresentou um projeto de lei, com coautoria de Vânio Presa (PMDB), para alterar o nome da Avenida Marechal Castelo Branco, no Bairro Água Viva, para Av. Leonel de Moura Brizola. O argumento foi que não se deve prestar homenagens a generais da ditadura, imitando iniciativa idêntica do vereador Pedro Ruas (PSOL), de Porto Alegre, que quer transformar a Av. Castelo Branco, na entrada da capital, em Avenida da Legalidade. Francamente...
Para pensar
Do Barão de Montesquieu, o pensador que inspirou a democracia moderna:
"Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas, e o de julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos."
Ou seja, um governo que controla o Executivo, o Legislativo e o Judiciário já não mais pode ser descrito como democrático, porque essa é a característica de um regime totalitário. Ou ditadura, se preferir.
O que diria Montesquieu do Brasil de hoje?

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