Sexta-Feira, 28 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


MÃO PESADA
Quando a presidente Dilma assumiu o governo, uma ação da Petrobras valia R$ 29. Hoje vale R$ 13. A maior empresa nacional caiu de 12ª em valor de mercado no mundo para a 120ª posição. Somando-se a perda de valor de mercado da Petrobras e da Eletrobras, chega-se a cerca de US$ 100 bilhões. De quebra, as políticas do governo para manter o preço dos combustíveis e com isso segurar a inflação conseguiram também aleijar o mercado de produção de etanol, que era um dos mais promissores do mundo e reconhecido internacionalmente por sua eficiência econômica, energética e ambiental.
O gasto de mais de US$ 1 bilhão na compra desastrada da refinaria americana de Pasadena de uma empresa belga, que a havia comprado em 2005 por US$ 42,5 milhões, tem potencial para incendiar a corrida eleitoral deste ano, principalmente se vingar a CPI que a oposição afirma já ter assinaturas suficientes para instalar no Congresso, e que certamente utilizará para fustigar o governo e desconstruir a imagem de gestora competente que Lula colou em Dilma. E, para jogar mais gasolina, ou petróleo, nessa fogueira, a situação de Dilma ficará ainda mais fragilizada quando se esclarecerem as relações do PT com o bilionário empresário belga Alfred Frére, que controla a Astra Oil, de quem a Petrobras comprou a refinaria megafaturada, e controla também a brasileira Tractebel, através de outra empresa sua, a francesa GDF Suez. A Tractebel doou R$ 1 milhão para a campanha de eleição de Dilma e mais R$ 550 mil ao comitê financeiro do PT nas eleições de 2010, segundo o jornal Estado de Minas. A Tractebel também já havia doado R$ 300 mil para a campanha de reeleição de Lula em 2006. Tem coisa pra esclarecer aí.
OS LADOS DA MOEDA
Agora que estamos lembrando os 50 anos do golpe militar, que inaugurou um longo período de uma ditadura cruel e opressora, convém também estar alerta para aspectos daquele momento que estão sendo convenientemente ignorados ultimamente. O golpe militar não foi apenas uma forma de os generais tomarem o poder só pelo gosto do poder. Foi, a bem da verdade, um “golpe preventivo”, como alguns costumam descrever, para evitar que se concretizasse outra tomada de poder que estava sendo arquitetada: o golpe comunista, inspirado pela revolução cubana de 1959, liderada por Che Guevara e Fidel Castro com o apoio da então União Soviética, e que alastrava seus tentáculos pela América Latina. No Brasil e em outros países sul-americanos havia campos de treinamento de guerrilheiros, com instrutores cubanos, e algumas organizações recebiam armas da ilha caribenha, de fabricação russa, para aparelharem-se para a revolução e instaurarem também aqui um regime alinhado com os soviéticos. O golpe militar, que teve suporte da inteligência norte-americana, assim como outros regimes militares que surgiram em países vizinhos, freou naquele momento a expansão comunista na América do Sul, mas pecou em prolongar-se demasiadamente no poder e nos excessos indesculpáveis de seus métodos, o que custou muito sangue e lágrimas à nação. Algumas figuras que hoje ocupam importantes posições no cenário político nacional, agora conquistadas democraticamente, lutaram contra as fardas verde-oliva, mas dividem-se em basicamente dois grupos distintos: os que queriam a volta da democracia e os que ainda tentavam levar adiante sua revolução comunista. E alguns destes, ainda hoje, mantém essas mesmas aspirações, só não o pretendem mais através das armas. Agora acreditam que podem fazê-lo através do aparelhamento do Estado e da compra do apoio popular com seus programas assistenciais. A propósito, há mais semelhanças entre o Brasil e a Venezuela de hoje que suas lindas praias e belas mulheres.
PARA PENSAR
De Caetano Veloso, músico e escritor que foi perseguido, preso e exilado pela ditadura militar:
"Quem lutou pela democracia e não tem uma vinculação com as ideologias de esquerda, é puramente democrata. Já os que tem vinculação com as ideologias de esquerda são, às vezes, perigosamente atraídos por ideias não democráticas, e muitas vezes consideram a democracia uma 'formalidade burguesa' que precisa ser superada." Poderia ter citado como exemplos os regimes de Cuba e Venezuela e seus simpatizantes.

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