Sexta-Feira, 28 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


ESQUISITICES ELEITORAIS
Faltando um pouco mais de dois meses para o início da campanha eleitoral, começam a circular em Alvorada os primeiros nomes mencionados como “pré-candidatos” para o próximo pleito. Nomes de fora e daqui. Contando com os votos do eleitorado local, tem vereadores daqui que querem alçar voos mais altos, tem deputados que se habituaram a colher votos em nossa cidade que pretendem se reeleger, outros que querem pular da esfera estadual para a federal, e ainda tem os que se projetam como cabos eleitorais de candidatos famosos, na esperança de conseguir uma vaguinha no gabinete do candidato eleito, ou ter como recompensa por seu esforço um apoio de peso na própria eleição, a vereador ou a prefeito, em 2016.
Eleição tem de tudo. É um mundo próprio, um tanto descolado da vida real, e que segue sua própria dinâmica. É o momento de esquecer o que passou e focar só o que virá. Inimigos de ontem abraçam-se em cima dos palanques. Amigos aqui transformam-se em rivais do outro lado da ponte, onde seus respectivos partidos, aqui aliados, lá têm projetos distintos.
Qualquer coisa por um bocadinho de poder e suas regalias.
No Maranhão, por exemplo, vale tudo para desbancar o reinado dos Sarney, inclusive uma insólita aliança entre o PSDB e o PCdoB. Seria o equivalente a, em solo gaúcho, Manuela D’Ávila e Marchezan Jr. compartilharem o palanque e os preciosos minutos de TV. Difícil de imaginar? Nem tanto, se recordarmos que Manuela já teve o apoio da senadora Ana Amélia, do antagônico PP. O mesmo PP de Paulo Maluf, que sorria largamente ao lado de Lula, recordam?, para garantir a eleição de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. Mas quem estranharia, se até Fernando Collor e o próprio Sarney, seguidos de uma longa fila, outrora tão demonizados por Lula e seus companheiros, fazem agora parte da base de apoio do governo petista?
DA PRODUTIVIDADE
A propósito, é de se questionar o que um vereador de Alvorada poderia fazer por seu município, se eleito deputado, tendo como referência o que já tenha produzido como legislador municipal. A produtividade média do vereador daqui, salvo raras e honrosas exceções, é próxima de zero e, nesse ritmo e habituados a esse jeito de representar seus eleitores, o que fariam de diferente numa Assembleia Legislativa? Ou, em um eventual mandato na Câmara Federal, o que conseguiriam render, para a sociedade, entre os mais de quinhentos excelentíssimos deputados?
Temos visto pouco resultado desses nossos representantes. Refiro-me a resultados para a sociedade, repito, não para suas próprias carreiras. A sessão da Câmara da última terça foi emblemática. Com duração de cerca de dez minutos, não apreciou qualquer projeto, e apenas serviu para a leitura de poucas correspondências e habituais trocas de piadinhas entre alguns dos poucos presentes. Sim, porque até a uma única sessão semanal tem vereador que consegue não ir. Talvez, quem sabe? por supor que não há nada que se faça de útil por lá para que dedique seu tempo. Uma pergunta ingênua seria se esses mesmos “representantes do povo” tratam com o idêntico descaso os depósitos em suas contas bancárias de sua generosa remuneração.
INTRIGANTE
São muitas as denúncias, há anos, sobre a fragilidade e a vulnerabilidade do sistema eleitoral eletrônico. Para um hacker mediano, coisa fácil de manipular. Por que nenhum órgão oficial se preocupa com isso e averigua a procedência dessas denúncias? Interessa a quem essa vulnerabilidade e a ausência absoluta de mecanismos de aferição e auditoria dos resultados eleitorais? E agora, com Dias Toffoli, o ex-advogado do PT, presidindo o Superior Tribunal Eleitoral, poderemos ficar mais tranquilos?

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