Sexta-Feira, 28 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


INCHAÇO
Nos Estados Unidos da América, com uma população de 300 milhões de habitantes, há 7 mil cargos em comissão, os famosos CCs, na administração pública. Na Inglaterra, que tem uma população de 50 milhões de habitantes, há 500 cargos em comissão. Na França e na Alemanha, (65 milhões e 81 milhões de habitantes respectivamente) há apenas 300 cargos em comissão. No Brasil, que conta hoje 200 milhões de habitantes, há 600 mil CCs, 25 mil só na administração federal e o restante espalhado pelos estados e municípios.
Alvorada tem mais de 420 CCs, segundo o SIMA, o sindicato dos municipários, com salários de até R$ 3.600. O prefeito Serginho, após iniciar seu mandato, ampliou o número de cargos comissionados em relação ao governo anterior e criou 17 funções de Secretário Adjunto, com salários de R$ 5.422, para ajudarem os respectivos secretários municipais a, digamos, fazer seu trabalho, o que antes era da competência dos diretores-gerais de cada secretaria.
Contando também com os salários dos secretários municipais, de R$ 9.950, e do prefeito, de R$ 18.900 (mais de 20% maior que o salário do prefeito de Porto Alegre), o impacto financeiro dos cargos políticos no orçamento municipal passa dos R$ 16 milhões por ano, de acordo com o SIMA.

QUESTÃO DE COERÊNCIA
Se o pretexto de as finanças do município estarem estranguladas fosse verdadeiro a ponto de não ser possível atender a reivindicações históricas dos funcionários concursados, cuja greve deflagrada nesta semana tem contado com adesão maciça (até mesmo de filiados ao partido do prefeito), seria no mínimo um gesto coerente e uma demonstração de responsabilidade o enxugamento dos cargos políticos. A percepção da sociedade é de que a lógica da ocupação e do aparelhamento político das estruturas da administração pública tem falado mais alto, de Brasília a Alvorada.

REZAS E VELINHAS
Tem CC municipal começando a se preocupar desde já com o resultado da eleição a governador. Na eventual derrota de Tarso, o que tem sido apontado por algumas pesquisas de intenção de voto caso o pleito fosse realizado agora, especula-se sobre uma enxurrada de militantes despejados dos atuais cargos na administração estadual, e que teriam que ser abrigados em prefeituras ocupadas pelo PT e seus aliados, Alvorada inclusive. Esse cenário teria potencial para incendiar novamente o arranjo local de alianças, já que a alternativa seria esvaziar cadeiras que foram oferecidas aos figurões dos partidos cooptados para a base do governo municipal, para acomodar os novos paraquedistas caídos do Piratini.

ESCALDADOS
Amigos próximos de Luís Augusto Lara (PTB), que até recentemente atuava como secretário estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social e voltou à Assembleia Legislativa para estar apto a participar da eleição deste ano, têm aconselhado o deputado a não aceitar a vaga de vice-governador na chapa encabeçada por Tarso Genro. O argumento é que teria mais chances de ajudar ao partido como deputado, já que como vice-governador seu protagonismo estaria diminuído, à sombra de Tarso. E isso se a dupla conseguisse se eleger, o que é uma grande incerteza.

TRADIÇÃO
Desde que foi instituída a reeleição, após a redemocratização, nenhum governador gaúcho conseguiu ficar no cargo por dois mandatos. Parece um tabu difícil de quebrar tão cedo.

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