Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


GREVE E ELEIÇÕES
O vereador Pedro Ruas (PSOL), de Porto Alegre, passou por Alvorada nesta quinta, para prestar solidariedade à greve dos municipários, que há quase três semanas travam árdua queda de braço com a prefeitura. A repercussão da paralisação tem ido bem além dos limites do município, o que em época de eleições tem potencial para atrair ainda mais a atenção do meio político.

VARA CURTA
Pela mesma razão (os eventuais impactos eleitorais da greve), importantes personalidades políticas ligadas ao prefeito Serginho mudaram imediatamente de postura, após a aparição de Ruas ao lado dos grevistas. Integrantes do Sindicato dos Municipários até receberam ligações de políticos importantes, que até ontem condenavam a greve, agora oferecendo apoio e se mostrando sensibilizadas com as demandas da categoria. Que poder não tem uma campanha eleitoral sobre as convicções das pessoas...

MUITO POR FAZER
O secretário-executivo da FIFA, Jérôme Valcke, até se esquivou da imprensa, mas não teve como esconder seu desencanto com o andamento das obras da Copa. Publicou em seu perfil do Twitter que "ainda há muito o que fazer em Porto Alegre.” O mesmo ocorre nas outras cidades em que serão realizados os jogos do mundial, a menos de um mês da abertura.

MICO
Uma desculpa que agora tem aparecido com frequência, de políticos a respeito do atraso das obras e sobre as que nem ficarão prontas: “A sociedade esperava por essas obras há muito tempo. Não é por causa da Copa. Então, se ficarem prontas agora ou até o final do ano, ou no ano que vem, ótimo. O importante é que elas estão aí.”
E o fiasco, como fica? Sete anos para se preparar... Ah, se alguém pudesse ver, há sete anos atrás, quando Lula e seus empreiteiros colocaram o Brasil como candidato, que esse seria o discurso agora...

CAIXA DE PANDORA
Abreu e Lima: este nome ainda dará muito o que falar nos próximos meses. A compra desastrada e pavorosa da refinaria de Pasadena, nos EUA, por mais de US$ 1 bilhão, mais de 20 vezes o valor original, está parecendo café pequeno diante dos números envolvidos com a construção dessa refinaria nos arredores de Recife.
O projeto original, que previa gastos de um pouco mais de US$ 2 bilhões, já chegou nos US$ 20 bi, e a obra está longe de ser concluída. O ex-diretor Paulo Roberto Costa, enquanto tinha caneta poderosa na companhia, assinou dezenas de aditivos aos contratos de construção, todos liberando valores na casa dos milhões. Segundo investigações da PF, alguns desses milhões acabaram caindo em contas de empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef. O mesmo que aparece ligado a uma porção de políticos graúdos de Brasília.
Não é à toa que o governo não quer de jeito nenhum que prospere uma investigação ampla sobre a Petrobras. E não foi à toa que Paulo Roberto, o “homem-bomba” que estava preso com Youssef e outros investigados na operação Lava Jato, foi solto nesta semana, por ordem do ministro Teori Zavascki, o último indicado por Dilma ao Supremo Tribunal Federal.

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