Sábado, 23 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


INCOERÊNCIA
A “campanha do medo”, com a qual o PT tentou assustar o eleitorado com a ameaça de se perderem benefícios caso Dilma não se reelegesse, e que oportunamente foi tirada do ar pela Justiça, sofreu novo golpe. Foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado o projeto do senador Aécio Neves (PSDB) que mantém o pagamento do Bolsa Família por seis meses para chefes de família que ultrapassarem a faixa de renda prevista pelo programa, nos casos em que o beneficiário conquistar emprego com carteira assinada. O PT pressionou contra, mas acabou derrotado. Agora o projeto segue para a Comissão de Constituição e Justiça.
Pareceu incoerente a mobilização da bancada do PT para tentar impedir a aprovação do projeto. Apesar dos mais diferentes argumentos, ficou a percepção de que os petistas não gostaram da ideia de perder a exclusividade sobre a gestão da Bolsa Família, o que diminui o potencial de ser utilizado como trunfo na propaganda eleitoral. Ou seja, os interesses eleitorais nesse momento falaram mais alto do que os interesses dos beneficiados pelo programa.
JOGANDO A TOALHA?
Depois de 11 anos como ministro do STF, o presidente Joaquim Barbosa surpreendeu a todos com o anúncio de sua aposentadoria. Barbosa afirmou que seus planos imediatos são assistir à Copa do Mundo em Brasília e depois descansar, mas seguem as apostas sobre uma eventual candidatura na próxima eleição.
Sobre sua participação na mais alta corte do país, afirmou que “o Supremo decidiu questões cruciais para a sociedade brasileira, causas de impacto inegável sobre a nossa sociedade, e me sinto muito honrado de ter participado desse momento tão rico, desses acontecimentos que tiveram lugar no tribunal, e espero sinceramente que eles continuem a acontecer, porque o Brasil precisa disso.” E como precisa!
AFINADOS
O coro dos críticos à organização da Copa vem aumentando. Figuras importantes já deixaram seus recados públicos e alguns até surpreenderam tanto pela atitude quanto pela contundência de seus argumentos. Ney Matogrosso, em uma entrevista a uma TV portuguesa semanas atrás, deixou o entrevistador perplexo ao expor algumas das mazelas enfrentadas pelo povo brasileiro contrastando com as obras faraônicas, algumas inúteis, e os gastos gigantescos empregados nas obras, mal planejadas, atrasadas e superfaturadas. A versão do Brasil que se tem em Portugal é baseada apenas na propaganda oficial, que pinta um Brasil em que tudo agora funciona, o que explica a surpresa do apresentador lusitano.
Ney não foi o único. Figuras como Zico e Paulo Coelho também não fecharam a boca diante do cenário que está incomodando qualquer brasileiro comum. O último, até agora, a se juntar aos frustrados foi o próprio Ronaldo, que integra o Comitê Organizador Local (COL) da Copa. O “Fenômeno”, que viu muita coisa de perto e de dentro, não escondeu sua decepção com a corrupção, os desvios de dinheiro e a falta de planejamento do governo, fazendo com que a copa se transformasse em uma “grande oportunidade perdida”.
VITÓRIA DE PIRRO
"Mais uma vitória como esta, e estou perdido", teria dito o rei grego Pirro após a Batalha de Ásculo, em 279 a.C., em que derrotou os romanos mas sofreu tantas perdas que não teria condições de travar nova luta. Situação semelhante foi vivida tanto pelo governo Serginho quanto pelos servidores após o desfecho da mais longa greve do município, encerrada há uma semana. Ambos os lados se disseram vitoriosos, mas preferem ainda não contabilizar os prejuízos, que não são poucos. Ao prefeito e sua administração, o dano maior foi na imagem, o bem mais valioso para qualquer político, enquanto que os servidores, depois de forte mobilização e muito desgaste, não voltaram a seus postos com conquistas significativas. No campo de batalha, ficaram brasas fumegando, e não se descartam novos embates quando ambos os lados tiverem recuperado o fôlego.

COMENTÁRIOS ()