Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


INIMIGO NA TRINCHEIRA
Mail de 100 mil homens foram mobilizados para garantir a “segurança” da Copa. Até a imprensa estrangeira está impressionada com o tamanho da mobilização e dos investimentos para garantir a ordem durante a competição. Nem mesmo na África do Sul, em 2010, onde se vivia intensa crise social, num país que acabava de sair de um dos regimes mais segregacionistas da humanidade, o apartheid, houve tamanha preocupação. Nem nos Estados Unidos, considerados neuróticos em questão de segurança, em 1994 se gastou tanto ou se mobilizou tanta gente.
O Brasil não está em guerra, nenhuma das seleções vem de algum país inimigo (aliás, o Brasil não tem país inimigo, exceto os Estados Unidos, na visão dos dirigentes do PT), não há histórico de terrorismo ou indícios de que viéssemos a ser alvos de extremistas nem nada parecido. Mas ainda assim o governo de Dilma Roussef resolveu que não deveria haver a mínima margem para distúrbios ou outros inconvenientes quaisquer que ofuscassem o brilho da Copa das Copas. Nem mesmo se fosse a própria nação que resolvesse se manifestar, pacífica e democraticamente. Não!
100 mil homens estão de prontidão para debelar qualquer barulho, intimidar qualquer protesto, abafar qualquer manifestação.
100 mil homens, do Exército, das polícias estaduais e federal, dos serviços de inteligência e demais forças, inclusive estrangeiras estão, sob o comando da Presidência, prontos para agir contra o povo brasileiro. Este é o único receio do governo no momento: a fúria e a insubordinação do povo brasileiro. Que insegurança essa turba não traria para a Copa das Copas. Que constrangedor não seria para a imagem do governo se a própria população fosse vista, pelas TVs ao redor do mundo, não só deixando de enfeitar as ruas e as casas, mas ainda saindo em passeatas e protestos contra a corrupção e o desperdício de recursos em torno desse campeonato. E que riscos isso não poderia trazer para seu projeto de perpetuação no poder...
Nem nos anos de chumbo da ditadura militar se viu tamanha mobilização policial.

VIVA A COPA
Na terça-feira, enquanto a agência do Banrisul era enfeitada com balões e fitinhas verdes e amarelas, a fila para atendimento nos caixas fazia voltas, e o tempo médio de espera era de uma hora e vinte minutos. Em pé. Nos equipamentos de autoatendimento, apenas um estava habilitado para receber depósitos e nem todos tinham dinheiro para saque ou papel para impressão de extratos. Isso na única agência da cidade, que tem mais de 200 mil habitantes. Mas é Copa, então é preciso vestir o verde e amarelo. O resto é só intriga da oposição.
Enquanto isso, os cordões do canteiro central da Av. Getúlio Vargas também eram pintados de verde e amarelo, porque é Copa. Mas nem me perguntem se nas vilas os buracos estavam tapados, os postos de saúde tinham material, o Hospital tinha vaga...
Um amigo teve um infarto nesses dias, e foi às pressas ao Hospital de Alvorada. Lá recebeu alguns medicamentos e foi liberado, mesmo que a lei determine que um infartado tenha que ficar em observação por pelo menos 24 horas. A justificativa da médica responsável aos familiares foi de que não havia vaga, então as alternativas seriam aguardar no corredor ou em casa para ver como o quadro evoluiria. Se piorasse, então que voltasse ao Hospital.
Já nos postos de saúde, os médicos cubanos, que nos foram apresentados como a solução para o caos da saúde, orientam os pacientes para trazerem de casa os materiais para curativos e outros procedimentos, como gaze, esparadrapo etc.
Mas façam isso despreocupados, porque o cordão da Av. Getúlio Vargas, por onde talvez passem no caminho para casa, ou para algum hospital da capital, está pintado de verde e amarelo.

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