Sábado, 25 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


POLÊMICA
Continua repercutindo, mais do que o pênalti fajuto cavado por Fred no Itaquerão, o coro de vaias e xingamentos dirigidos a Dilma Roussef. Há os que condenam o uso de palavrão, há os que defendem o direito de manifestação popular. Os que dizem que autoridade precisa ser preservada e os que argumentam que "quando os que comandam perdem a vergonha, os comandados perdem o respeito".
INSPIRAÇÃO
É sabido que o PT inaugurou no Brasil uma nova forma de fazer política, mais truculenta, menos polida e diplomática. Já se criou até um bordão sobre isso, dizendo-se que a oposição é vegetariana e o PT é carnívoro. O próprio Lula, quando ainda na oposição, já havia chamado o então presidente Itamar Franco de filho da... bem, sabemos o palavrão, não é preciso repetir.
Aqui no RS também já assistimos a muitos episódios lamentáveis, em que autoridades eram xingadas e agredidas das mais diversas e vergonhosas maneiras. A atuação do CPERS, por exemplo, reduto histórico do petismo, é um emblemático paradoxo. Ainda não caiu no esquecimento a campanha espalhada pelo Estado pelo sindicato dos “professores” (olha só!), com outdoors acusando a ex-governadora Yeda Crusius de 'ladra', nem o cerco a sua casa, constrangendo e ameaçando até seus netos num espaço que deveria ser mais preservado do que uma sede de governo: o lar.
Outro episódio recente, promovido por um militante do PT e compartilhado por milhares de simpatizantes, foi a ameaça de morte ao presidente do STF Joaquim Barbosa, recheada de muitos xingamentos impublicáveis.
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
Estes episódios, como tantos outros, não foram repudiados por muitos dos que agora condenam raivosamente os xingamentos a Dilma Roussef em um estádio, ambiente em que palavrão é tão comum quanto grama.
Talvez por todo esse histórico é que a avaliação, tanto de Eduardo Campos quanto de Aécio Neves, sobre o coro de "vai tomar..." no Itaquerão se resumiu à mesma frase: "Ela está colhendo o que plantou."
ESTÁDIOS E HOSPITAIS
Bem diferente do que tem dito Dilma Roussef, o gasto com estádios equivale ao dobro dos investimentos federais em Saúde. O site Contas Abertas divulgou dados que desmentem Dilma Roussef. Ela tem afirmado que os “investimentos” federais em Saúde e Educação foram 100 vezes maiores do que os alegados R$ 8 bilhões dos estádios, cerca de R$ 825 bilhões desde 2010. Só que ela colocou nessa conta todos as despesas, desde salários aos gastos com custeio dos ministérios. “Investimentos” mesmo, como obras e compra de equipamentos, foram R$ 3,9 bilhões em Saúde e R$ 7,6 bilhões em Educação em 2013.
COMPARAÇÃO
Com os R$ 8 bilhões gastos na construção dos estádios seria possível construir quatro mil Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) de porte II, que cobrem locais que possuem entre 100 mil e 200 mil habitantes e recebem até 300 pacientes diariamente. Ou seria possível erguer 2.260 escolas com capacidade de 430 alunos por turno, cada. Uma escola com 12 salas de aula e quadra coberta, financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), custa R$ 3,5 milhões. Depois se queixa das vaias...

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