Sexta-Feira, 28 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


ORGIA
A classe política, em geral, não aprendeu nada com as manifestações de junho do ano passado. Salvo escassas exceções, as velhas e podres práticas fisiológicas que vêm corrompendo o ambiente político brasileiro permanecem inalteradas. Os discursos que a quase totalidade de políticos proferiu depois do susto ao ver multidões nas ruas gritando por um Brasil menos corrupto e mais justo, aqueles discursos que começaram a criar uma centelha de esperança de que algo poderia começar a melhorar no país, logo se provaram como só mais uma das espertezas que as velhas raposas já aplicavam com maestria e das quais, mais uma vez, lançariam mão para se manterem em suas confortáveis posições, preservando seu prestígio junto às massas. Aproximando-se mais uma campanha eleitoral, a safadeza de novo corre solta.
Quem consegue acompanhar, ainda que de longe, as movimentações nos bastidores da política, mesmo sob o intenso bombardeio de informações sobre a Copa que praticamente não deixa espaço para qualquer outra notícia, especialmente aquelas sobre os meandros do poder e das movimentações que os partidos e seus caciques estão ensaiando no tabuleiro eleitoral, deve estar no mínimo desiludido.
A coisa toda não só não melhorou como parece que conseguiu ficar ainda pior. As coligações que estão aparecendo por aí são de embaralhar a cabeça de qualquer analista político, quanto mais do eleitor comum. As negociatas envolvendo recursos, lícitos ou não, para o financiamento eleitoral, são um escárnio. Da parte de quem está atualmente no poder, é de provocar lágrimas no cidadão de bem a forma como está sendo rifado o aparelho estatal. Ministérios, cargos, recursos e investimentos, tudo propriedade do povo e não de partidos, virou moeda de troca nas negociatas por tempo de televisão na campanha que começa em julho.
Partidos e políticos não têm qualquer pudor em usar um discurso em Brasília e outro nos Estados. Alianças das mais patéticas são apresentadas com os argumentos mais vazios, que não conseguem disfarçar que, por trás de tudo, resiste acima de qualquer interesse a busca pelo poder. E a manutenção dele, por quem já está lá. Em São Paulo, o PSD de Kassab discute apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin, do PSDB de Aécio Neves, enquanto no Rio já trocou alianças com os tucanos e o PMDB, mas no plano nacional apoiará Dilma Roussef. Já o PT, em São Paulo, novamente abraçou Paulo Maluf (PP), que tem foto no site de procurados pela Interpol, para garantir alguns votos ao ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, que não consegue deslanchar na corrida ao governo paulista. Enquanto isso, o PSB de Eduardo Campos fechou com o PSDB em São Paulo e com o PT no Rio, enquanto no cenário nacional briga com os dois. Já aqui nos pampas, o PP de Ana Amélia aparenta ter o discurso mais oposto ao do governador Tarso Genro, e nem nos piores pesadelos estaria ao lado de Dilma, mas a executiva nacional dos progressistas deu um canetaço para garantir parceria à presidente, o que certamente será discutido na justiça pelos correligionários rebeldes que preferiam ter votado na convenção a alternativa que representasse a opinião de todos os delegados, que, ao que parece, não era o que a executiva já tinha combinado com o Planalto.
E isso tudo (e muito mais, que não cabe aqui) logo agora que Dias Toffoli, ex-advogado do PT, virou presidente do Superior Tribunal Eleitoral, e Ricardo Lewandowski, conhecido simpatizante da causa dos mensaleiros condenados, assumiu a cadeira que Joaquim Barbosa acabou de vagar, em circunstâncias que estão deixando pulgas atrás de muitas orelhas.
Mas deixa pra lá, quem quer saber de bacanal numa hora dessas? Agora é hora de circo, e viva a Copa!

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