Sábado, 25 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


A fraude do vale-refeição
A Prefeitura de Alvorada agiu corretamente ao denunciar à Polícia Civil e ao Ministério Público, no ano passado, a suspeita de fraude no vale-refeição operada por servidores com dinheiro público. A partir da denúncia, iniciou-se uma investigação, que durou sete meses, e culminou ontem com buscas e apreensões e suspeitos levados para prestar esclarecimentos. O inquérito policial deve ser concluído em 30 dias.

Proveito político
Alguns detalhes, entretanto, chamam a atenção de observadores mais atentos. A começar pelo uso político do caso. A atual administração esforça-se para promover a ideia de que se trata de mais uma falcatrua da gestão anterior, omitindo que a fraude continuou acontecendo no governo Serginho. É bem provável que seja um crime de funcionários públicos, sem vinculação partidária, apenas no intuito do enriquecimento ilícito. Também pode ser que não, que haja motivação político-partidária por trás da empreitada, mas o fato é que ainda não há nem sequer um inquérito, quanto menos um processo judicial, e portanto qualquer conclusão taxativa corre grande risco de ser apenas um palpite furado. Mas, mesmo assim, o caso virou munição contra o prefeito Brum.

Conivência
Outro aspecto interessante é que o atual governo trouxe para a sua base o partido que governava a cidade no último período, e, em consequência, enfrenta essa esdrúxula situação, de ambas as partes conviverem como inimigos na mesma trincheira. Ainda que, de parte a parte, tratem-se mutuamente com respeito e não se constranjam em trocar elogios em público, é um tanto embaraçoso que, vira e mexe, os petebistas agora aliados do rei tenham que ler nos jornais e nas redes sociais que os seus novos amigos não perdem oportunidade para falar mal de sua passagem pelo poder. Não há como deixar de perceber o fisiologismo, o oportunismo e o pragmatismo eleitoral presentes nessa estranha aliança.

Calendário
Também planta algumas pulgas atrás da orelha o momento em que o delegado Joerberth Nunes, da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Fazenda Estadual, emergiu com a operação policial, batizada de “Alvorazes”. Aliás, foi o mesmo delegado que conduziu a operação Cartola. A fraude teria sido percebida em meados do ano passado, e passou quase um ano para voltar a se levar à mídia informações que já eram públicas há meses. Ambas as operações conduzidas por Joerberth deflagraram a ação policial, com alarido e toda a imprensa mobilizada, às vésperas de um período eleitoral. Pode ter sido mera coincidência, mas há quem cogite a hipótese de as agendas serem meticulosamente planejadas.

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