Terça-Feira, 19 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Voto de protesto
Ao contrário do que muitos ainda acreditam, um grande número de votos nulos ou em branco não anula uma eleição. O sistema eleitoral foi inteligentemente concebido para ignorar os descontentes e os inconformados. Os votos nulos e brancos simplesmente não contam, e servem apenas para estatística. Somente são considerados os votos chamados “válidos”, aqueles que efetivamente indicaram algum candidato igualmente “válido”.
Ou seja, se alguém pensa estar manifestando um protesto político através da urna eletrônica anulando o seu voto, precisa rever sua lógica, porque, na verdade, estará simplesmente se retirando do processo eleitoral e passando a fazer parte de uma mera estatística, que no máximo vai ser objeto de algumas linhas em um punhado de jornais e alguns segundos de comentários no rádio e na TV, mas não vai mudar coisa alguma no cenário política.

Sem saída
A única forma de se mudar alguma coisa é votar. Votar em alguém. Se a ideia é mudar, é preciso escolher alguém em quem votar, que representa alguma mudança. Se a ideia, por outro lado, é deixar tudo como está, basta votar em quem já está ocupando seus cargos e pretende permanecer por lá. São apenas estes dois tipos de votos que vão indicar o que acontece depois. Voto branco e nulo não faz nada, não vale nada. Vai pro lixo.
Portanto, apesar de ainda defender o direito de cada eleitor manifestar a sua opinião da maneira que achar correta, ainda que seja votando em branco ou nulo, porque são opções legítimas, legais e possíveis numa democracia, tenho a convicção de que não vale a pena, que é um desperdício.

Estatística
Na eleição de 2010, a maioria dos eleitores não votou em Dilma, mas ainda assim ela se elegeu no segundo turno. Perguntarão: como assim, a maioria não votou nela, se ela foi eleita? Vamos aos números: Dilma recebeu 55,7 milhões de votos e José Serra obteve 43,7 milhões. Já os votos brancos e nulos somaram 7,1 milhões, e as abstenções foram de 29,2 milhões. Ou seja, 80 milhões de eleitores não votaram em Dilma. Caso um terço dos votos brancos e nulos e das abstenções tivessem sido dados a Serra, Dilma não estaria hoje buscando seu segundo mandato.
Enfim, votos brancos e nulos e abstenções ajudam a definir o resultado de uma eleição, só que não da forma como esses eleitores imaginam.

Racha
O PTB de Alvorada vive um dilema gigante, que se agrava a cada dia. Parte das lideranças foi cooptada pelo governo e passou de alvo da fúria da militância petista a aliado eleitoral. Outra parte cruza os braços e não aceita integrar a base de apoio de um grupo que vem tratando-a impiedosamente, e sempre que possível aproveita oportunidades para fustigar a administração anterior e culpá-la pelos problemas atuais da cidade. O partido trabalhista inclusive tem um candidato a deputado estadual, que não se constrange em justificar seu apoio a Tarso e Dilma, só que ele estará buscando votos na base da candidata do PT ao legislativo estadual, dividindo as forças. A base do partido é que não entende bem o que está acontecendo, e fica assistindo à distância, entre piadas e grosserias que minam a motivação da militância, fragilizando a legenda. Quem agradece é o PT, que vê seus adversários perdendo força, facilitando a jornada de 2016.

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