Quinta-Feira, 22 de Junho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


No berço do Partido dos Trabalhadores, a região do ABC paulista, até o ex-presidente Lula já não goza do mesmo prestígio de outrora. Na última terça-feira, na tentativa de impulsionar a candidatura a governador de São Paulo do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, que não tem conseguido passar dos 5% nas pesquisas, Lula organizou um comício para os milhares de operários da montadora Ford, coisa que cansou de fazer no início de sua vida pública. Só que aconteceu algo impensável há alguns anos: os funcionários, ao saírem de seu turno, passaram reto, calados, e não ficaram para ver o antigo ídolo sindicalista dar o seu recado. Apenas alguns curiosos aproveitaram para fazer fotos com Lula e os discursos acabaram acontecendo em um pátio quase vazio, para uma plateia de poucos militantes petistas que haviam sido “convidados” para segurar faixas e bandeiras.

Incertezas
Em se tratando de São Paulo, não é pouca coisa, porque, além de guardar as origens do Partido dos Trabalhadores, é o maior colégio eleitoral do Brasil, com 32 milhões de eleitores. Considerando ainda os estados de Minas Gerais, onde Aécio Neves deverá ser o preferido da grande maioria de seus conterrâneos, e do Rio de Janeiro, onde o candidato petista ao governo estadual, Lindberg Farias, também só tem conquistado a simpatia de uns poucos eleitores, estes três colégios, que representam 41% do eleitorado brasileiro, dão sinais de que a reeleição de Dilma já não é mais tão certa como seus companheiros acreditavam até há pouco.

Contra-ataque
Talvez essas preocupações sejam a causa do aumento do tom dos petistas em relação a Aécio Neves e ao PSDB. O caso do aeroporto de Cláudio/MG, sobre o qual o PT tem insistido em pedir investigações por suposto favorecimento a familiares do ex-governador mineiro, apesar de o Ministério Público já haver investigado e arquivado por não encontrar irregularidades, continuará a ser explorado à exaustão como forma de minar a imagem do presidenciável tucano. Da mesma forma, parlamentares do PT se mobilizaram para instalar, nessa semana, uma CPI sobre supostas fraudes no metrô de São Paulo, em retaliação às denúncias de fraude na CPI da Petrobras. Esperam, com isso, desgastar a imagem do partido de Aécio e fustigar o favorito ao governo de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin.

Vale tudo
Como já disse Dilma outro dia, “podemos fazer o diabo na eleição”. Vale tudo, na ótica da representante máxima da nação. Vale até ela própria dizer que cabe só ao Congresso responder sobre a fraude da CPI da Petrobras, não a ela. Como se não fosse o governo que estivesse aparelhando a CPI com membros de seu partido e de sua base. Como se não fossem funcionários do governo e da estatal que tivessem sido apontados como os autores do questionário a ser enviado previamente às testemunhas da CPI. Como se não tivesse sido ela, Dilma, a presidente do conselho de administração da Petrobras na época da pavorosa compra da refinaria de Pasadena, alvo da investigação da CPI. Como se não fosse o seu governo o responsável por saques bilionários do caixa da Petrobras para fechar as contas do caixa do próprio governo, tornando a estatal a empresa mais endividada do mundo. E como se todos os brasileiros fossem ingênuos como ela gostaria que fossem.

Será mesmo?
Nem todos pensam como Dilma. Ela deveria prestar mais atenção às manifestações e ao comportamento dos cidadãos brasileiros. A começar pelo silêncio dos metalúrgicos de São Paulo nesta semana, já que, ao que parece, ela já esqueceu que o Brasil gritou em junho de 2013.

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