Sábado, 25 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Pé esquerdo
A campanha de Marina Silva começou meio estranha. Mal assumiu a condição de candidata a presidente pelo PSB, a substituta de Eduardo Campos botou as mangas de fora e deixou de lado a postura humilde que vinha adotando até então. O primeiro resultado foi a saída do coordenador da campanha, Carlos Siqueira, secretário-geral do PSB, que era amigo pessoal do ex-governador pernambucano, alegando que Marina preferiu dar mais poderes a gente de sua confiança do que aos indicados por Campos. Entre eles, Roberto Amaral, presidente nacional do PSB, que, contrariando a intenção da maioria do partido de ter candidatura própria e se apresentar como uma terceira via, defendia a permanência no governo de Dilma Rousseff e o apoio a sua reeleição.

Mais baixas
Logo após a saída do coordenador da campanha, o PSL também anunciou que estava desembarcando da coligação, reclamando que não havia sido consultado sobre a substituição de Eduardo Campos. Além disso, a direção do partido deixou claro que não tem muita afinidade com Marina, e nem confia muito nela, acreditando que ela deixará todos “de pincel na mão” caso vença as eleições, e passará a se dedicar à criação do próprio partido, a Rede Sustentabilidade. “Sei o que Dilma e Aécio pensam, mas não sei o que Marina pensa”, afirmou Luciano Bivar, presidente do PSL, que leva consigo 780 vereadores e 36 prefeitos.

Reviravolta
Marina Silva tem dado sinais de que mantém fortes vínculos com o PT, seu antigo partido. Já deixou claro que não vai subir em palanques regionais em que o PSB esteja coligado com o PSDB, e que não são poucos. Em um eventual segundo turno entre Dilma e Marina, o projeto de poder do PT estaria preservado, mesmo com a vitória de Marina. No caso de a disputa ficar entre Dilma e Aécio Neves, a ambientalista tenderia a apoiar o PT, diferentemente do que se esperava de Eduardo Campos.

Bombeiro
O governo do Professor Serginho está passando por situações que tem gerado críticas até dentro de seu partido. Isso por conta de episódios marcantes, que tem ocorrido com frequência sempre maior, e que, colocando a administração “contra a parede”, forçam alguma atitude mais rápida da administração para minimizar os danos a sua imagem. Exemplos recentes foram a invasão da prefeitura por moradores do Sítio dos Açudes, com seus calçados cheios de barro por causa do estado de abandono das ruas da região, e a churrascada sobre buracos de ruas do Jardim Algarve, “celebrando” o aniversário da cratera que acabou servindo de churrasqueira. Logo após os dois episódios, que foram noticiados pela imprensa regional, a prefeitura anunciou trabalhos de manutenção nas ruas dos dois bairros.

Mão dupla
Falta alguma coisa na comunicação da prefeitura, porque fica a impressão de que não tem chegado ao conhecimento dos gestores municipais a percepção que tem o restante da cidade: Alvorada está se deteriorando, e a população não está satisfeita com a qualidade e a velocidade dos serviços públicos municipais. Comunicação é uma via de duas mãos: não basta enviar ao povo a mensagem de que está tudo melhorando; é preciso também ouvir o que o povo está dizendo, e não apenas quando ele resolve gritar, ou enlamear o palácio ou ainda comemorar aniversário de buracos.

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