Sábado, 23 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


A metade vazia do copo
Pesquisa recente do Ibope indicou que 77% dos eleitores ainda não haviam decidido em quem iriam votar para deputado federal, e 73% para deputado estadual. Péssimo indicador para os atuais deputados que pretendem renovar o mandato. A pesquisa passa o recado de que, se esses políticos tivessem mostrado trabalho nestes quatro anos, seus nomes estariam sendo lembrados e seriam fortes candidatos a serem reconduzidos à Câmara ou à Assembleia, o que, parece, não é o caso.
A metade cheia do copo
O aspecto positivo da campanha é que há um universo de eleitores que ainda podem ser buscados e convencidos pelos candidatos. O desafio é o curto espaço de tempo. Uma semana passa muito rápido, especialmente se toda a concorrência disputa o mesmo “mercado” e nenhum candidato está sozinho na vitrine.
Apatia
Outra leitura que pode ser feita sobre a pesquisa é quanto ao desinteresse do cidadão comum sobre a política. Uma pequena minoria já tem seus votos definidos, e boa parte desses estão nas diferentes militâncias partidárias, que gravitam em torno do ambiente político, e entre as legiões de cabos eleitorais de ocasião, que ganham uns trocados por dia pra segurar bandeiras nas esquinas e distribuir panfletos pelas ruas. Do restante, alguns realmente estão buscando informações sobre as opções que se apresentam, para formar uma opinião consistente que inspire a escolha na urna, mas a maioria, entretanto, julga que tem coisas mais importantes com que se preocupar, a começar pelo emprego, a segurança, a saúde, o sustento da família e outras prioridades do dia a dia, e que política não lhe diz respeito.
Desserviço
Este é o mal que o mau político causa à própria política: torná-la desacreditada e afastá-la do interesse da sociedade. Aquele cidadão comum, de tanto se desiludir, e até enojar, com a banalização da falcatrua e da corrupção no ambiente político, nem mesmo quer parar pra refletir sobre o quanto a política diz respeito a todas as suas outras prioridades, como saúde, segurança, educação e emprego. Não se constrói uma nação próspera e com um povo feliz sem se usar dos meios políticos. Só o que se precisa é que haja bons políticos nesse meio, e isso depende de quem os coloca lá, que somos todos nós, eleitores, interessados ou não pelo assunto.
Clone
Na reunião-almoço da quinta-feira na ACIAL, em que foi apresentada a exitosa história da empresa alvoradense AutomaSafety, foi comentada a ausência do prefeito Professor Serginho, dos principais nomes do governo e da base aliada da câmara. Alguns dos presentes especulavam sobre as razões, e muitos sugeriram que pudesse haver alguma relação com o escândalo mais recente envolvendo o primeiro escalão do governo, o do ex-secretário Miguel Ângelo, exonerado na terça-feira após ter sido flagrado e preso usando um carro clonado. O velo ditado “quem não é visto não é lembrado” desta vez não se confirmou.

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