Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Na última semana a praça central mais uma vez foi tomada por lonas e estandes, em um grande evento promovido pela prefeitura, através da SMED. A Feira do Livro procurou resgatar uma tradição que começava a se firmar em Alvorada, a convergência de estudantes, entre diversos outros tipos de leitores, a um lugar onde estaria concentrado um grande volume de obras literárias, para os mais diversos gostos, entre atividades lúdicas e culturais. O vale-livro distribuído aos alunos da rede pública foi comemorado, e com entusiasmo, porque possibilitou a muitas crianças o acesso gratuito a bons livros, o que é um estímulo importante para despertar e manter o saudável hábito da leitura.

Mercado paralelo
Mas como nada é perfeito, houve também críticas à organização do evento. Talvez por excesso de zelo, que criou uma série de exigências e rigores nos processos de seleção do fornecedores e expositores, houve pequeno número de livrarias e editoras participando, em comparação a anos anteriores. A queixa também veio de parte dos comerciantes, que se disseram prejudicados por regras “inflexíveis”, como o horário de atendimento, entre outras, o que acabou levando visitantes a consumirem produtos de vendedores ambulantes dos arredores, que não recolhem impostos e não se sujeitam às regras e à fiscalização da prefeitura.

Edital
Expositores locais comentaram que, no edital da Feira, a lista de exigências e documentos solicitados a quem quisesse se habilitar para expor ou vender no evento era imensa, o que limitou a participação de um grande número de interessados da cidade. Vantagem para os “grandes”, mais habituados à burocracia, e perda para os “pequenos”, que tiveram mais uma porta fechada, somada a todas as dificuldades que rotineiramente enfrentam no mercado, cada vez mais competitivo.

Gastos
Outro ponto que já está gerando polêmica é o gasto envolvido no evento. Já que não houve grandes shows, o número de expositores foi reduzido e a expectativa de público também, questiona-se a grandeza da estrutura, incompatível com o tamanho do evento. Resta saber quanto efetivamente foi investido para avaliar se o retorno, em termos de fomento à leitura e à disseminação da cultura através da literatura, foi compatível com os dinheiro envolvido. A verba utilizada na Feira vem basicamente dos recursos da Secretaria de Educação, oriundas principalmente de repasses federais, por isso a preocupação de muitos cidadãos com a melhor forma de investir o dinheiro público.

Dinheiro “público”?
Aliás, sobre dinheiro público, meu entendimento é de que isso não existe. O dinheiro é, na verdade, da sociedade, que é compulsoriamente recolhido pelo governo, que teria o dever de administrá-lo da melhor forma para devolvê-lo à sociedade em forma de serviços que esta necessita. Portanto, sempre que se falasse em “dinheiro do governo” ou “dinheiro público”, deveria ser usada a expressão “dinheiro da sociedade gerido pelo governo”.

Transparência
A julgar pela resistência por parte da prefeitura em divulgar os gastos, solicitados por vereadores e pelo SIMA, com o Seminário Internacional de Educação, ocorrido em junho, deve demorar mais um tanto até que se saiba o tamanho da despesa com a Feira do Livro.

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