Domingo, 19 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Jogo sujo
A campanha eleitoral deste ano está entrando para a história como a mais suja já vista pelos brasileiros. Nunca se apelou tanto para a difamação e para a mentira como agora. Triste é constatar que isso está virando um padrão, que política é assim mesmo. E não é. Ou não deveria ser. Disputas eleitorais deveriam ser pautadas por discussão de projetos, com dados e argumentos contra e a favor, mas jamais descambar para a calúnia pessoal, como tanto se tem visto.
De cima
Lamentavelmente os exemplos partem justamente de quem deveria zelar pelo bom nível, pela honradez e pela lisura da disputa. Grandes lideranças políticas são quem inflamam as massas, e estas reproduzem e engrossam o coro dos desbocados. E quando as picuinhas partem de baixo, da militância mais afoita, as lideranças não coíbem, não repreendem. Ao contrário, estimulam para que a “jaguarada” continue fazendo o trabalho sujo.
Biografia
O ex-presidente Lula é um dos exemplos mais evidentes de má conduta de um líder político. Os discursos que tem vociferado nos últimos comícios ao redor do Brasil tem envergonhado a nação, por sua falta de compostura. Soltando palavrões e fazendo acusações caluniosas contra a pessoa de Aécio Neves, o boquirroto compara-se a um ébrio que não controla a própria língua. Papelão que não combina com quem já tenha ocupado o mais alto posto de uma grande nação como o Brasil. Vergonhoso. Mas ele não liga, ao que parece, porque agora o mais importante é garantir a permanência de seu partido no poder, a qualquer preço. Acaba por escrever capítulos ruins em sua biografia, até então valorizada ao redor do mundo como exemplo de perseverança e idealismo, agora manchada pelo que de pior poderia caracterizar um homem público.
Outros exemplos
Outros ex-presidentes têm mantido comportamento diferenciado após deixarem seus cargos. Até Collor e Sarney, muito criticados por suas atitudes políticas, sabem usar de recato em seus discursos. Fernando Henrique idem, um legítimo “gentleman”, que mede as palavras e as usa com educação, ainda que de forma incisiva e contundente para denunciar o que considera errado no governo e na campanha de reeleição da presidente Dilma. Mostra que não é preciso usar palavrões e linguagem chula e nem apelar para mentiras e boatarias que machuquem a honra pessoal de adversários políticos. É outro nível.
Estratégia
A baixaria não é espontânea e gratuita. Ao contrário, é planejada, fomentada e estimulada. É mais uma das armas que tem sido sacadas para o duelo político, o que deixa o quadro ainda mais decepcionante. Quando a política é pensada tendo a sujeira e a baixaria como legítima, estamos pior do que pensávamos. Isso não é amadurecimento da democracia. É um baita retrocesso, e só serve a um interesse: a disputa pelo poder por causa de um projeto de poder. Não é a nação que está no primeiro plano.
Contaminados
Alvorada anda paralisada nestas últimas semanas. Não tivemos eleições municipais, mas a impressão é de que todo o ambiente político, impactando até na administração da cidade, se envolveu na campanha. Enquanto isso, as demandas da cidade não pararam de crescer, os buracos nas ruas continuam a testar a paciência dos motoristas (e a mecânica dos carros), as consultas e os exames de saúde estão muito distantes da realidade apresentada na propaganda oficial. A militância tem demonstrado uma disposição incrível para a campanha, que infelizmente não tem sido a mesma para desempenhar suas funções nos cargos de confiança que ocupam na administração municipal. A cidade aguarda ansiosamente o início da próxima semana, na esperança de que volte a receber alguma atenção de sua administração.

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