Quinta-Feira, 22 de Junho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Margens de erro
Em mineração e eleição, só se sabe o resultado depois da apuração. Os institutos de pesquisa têm sido muito falados por conta de alguns levantamentos de intenção de voto, que se mostraram muito distantes dos resultados das urnas. O Ibope chegou a anunciar em seu site que Olívio Dutra era o senador eleito, após a tabulação da pesquisa de boca de urna divulgada logo após o encerramento da votação, às 15 horas do domingo. A mesma pesquisa apontava Tarso em primeiro, seguido de Ana Amélia, e Sartori quase encostando na senadora. No plano federal, Marina ainda ameaçava desbancar Aécio do segundo turno no levantamento do Ibope. Bem, o fim da história todos já sabemos.

Acertos
Mas em outros lugares, os levantamentos foram precisos. Em Santa Catarina, só para citar um exemplo, os percentuais de Ibope e Datafolha na boca de urna confirmaram os exatos números da apuração oficial. Lá, entretanto, o andamento da campanha se mostrava estável desde o princípio, assim como o favoritismo de Raimundo Colombo (PSD), o que favoreceu o acerto das pesquisas.

Mitos
O que se conclui, entre outras observações, considerando-se que os institutos não agiram de má fé, é de que o povo gaúcho não é assim tão politizado como se apregoa pelos pampas. Se fosse, suas convicções não seriam tão volúveis, ou seu voto não seria definido a um dia da eleição. Seguramente grande parte do eleitorado foi influenciado pela propaganda e pela boataria, que não são exatamente os melhores meios de se construir uma sólida consciência política, mas certamente são elementos que ajudam a definir os resultados de uma eleição. Infelizmente.

Reputações
Romeu Tuma Junior, ex-deputado e ex-secretário nacional de Justiça, braço direito do então ministro Tarso Genro, lançou no ano passado um livro intitulado Assassinato de Reputações, em que narra as estratégias elaboradas em Brasília, especialmente em seu ministério, para desconstruir imagens de adversários políticos. Essa turma entende disso, e nessa campanha mais uma vez isso ficou muito claro. Marina começou a cair na preferência do eleitor em consequência da artilharia impiedosa vinda da campanha de Dilma Rousseff. A presidente-candidata, aliás, até admitiu na terça-feira desta semana que Aécio Neves havia sido “poupado” no primeiro turno, quando Marina representava perigo maior, já avisando que agora vai sobrar pra ele também. Ana Amélia também foi atingida pelo mesmo arsenal difamatório, que gora certamente não poupará Sartori. Um festival de baixaria nos aguarda.

Ironia
É desanimador ver a quantidade de deputados estaduais e federais que renovaram seus mandatos. Outra amostra da frágil politização do povo gaúcho, e de todo o brasileiro. Tivemos uma grande oportunidade de oxigenar e renovar os parlamentos, ainda inspirados pela onda de protestos iniciada em junho do ano passado, e a perdemos. O poder econômico de quem já detém mandato e ao longo de três anos vem consolidando suas bases, inclusive com recursos públicos, torna a disputa desleal, principalmente em se tratando de um público eleitor de baixo nível de formação política e com pouco acesso à informação.

Ironia II
Candidatos da “nova política” e da “reforma política” foram os que mais gastaram nessa campanha, e os que mais sujaram as ruas.

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