Segunda-Feira, 29 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Curiosidade 1: Empate
Alvorada tem duas zonas eleitorais, 0074 e 0124. Em uma delas ocorreu um fenômeno estatístico: um empate, no segundo turno, entre Aécio Neves e Dilma Rousseff. Cada candidato obteve exatamente 25.471 votos na zona 0124. Talvez o único caso no Brasil. Ou não.

Curiosidade 2: Unanimidade
Já no estado do Acre, na cidade de Tarauacá, a seção 0104 da zona 0005 deu 100% dos votos para Dilma Roussef e 100% para o candidato do PT ao governo estadual, Tião Viana. Nenhum votinho para Aécio Neves, e nenhum votinho para o candidato a governador pelo PSDB, Márcio Bittar, e também nenhum em branco. Apenas quatro nulos entre os 222 eleitores da seção, totalizando 218 x 0 na disputa Dilma-Aécio.

Auditoria
A urna de Tarauacá está entre as tantas que serão auditadas pelos técnicos indicados pelo PSDB. Apesar de a “grande mídia” ter anunciado na semana passada que o pedido de auditoria feito pelos tucanos ao TSE havia sido negado, o fato é que foi aceito, conforme divulgado no site do próprio tribunal. O TSE disponibilizou todas as informações, equipamentos e sistemas solicitados. Apenas foi negado que se criasse uma comissão pluripartidária, porque o tribunal entendeu que o PSDB não tinha legitimidade para fazer esse pedido em nome dos outros partidos. Mas está livre para encaminhar sua própria equipe para investigar o que achar necessário, e já está sendo montado um time de especialistas, inclusive estrangeiros, que iniciarão os trabalhos nos próximos dias.

Dúvidas
São muitas as suspeitas de problemas na eleição, que motivaram o pedido de auditoria, como eleitores que compareceram para votar e seu voto já estava computado, urnas com teclas 4 ou 5 emperradas e votos no número 45 aparecendo como “inválidos”, entre outros. E tem ainda o processamento dos votos, que ocorreu a portas fechadas durante três horas, usando o álibi do fuso horário do Acre. Nem os ministros do Tribunal Superior Eleitoral foram autorizados por Dias Toffoli, o presidente da corte, a acompanharem o processo. Apenas um reduzido grupo de técnicos, que ficaram incomunicáveis. O resto da história todos conhecem: às 20 horas do domingo iniciou-se a divulgação da totalização dos votos, que estava sendo processada em sigilo desde as 17 horas, e já apareciam 94% dos votos apurados.

Transparência
É salutar para a democracia que não haja segredos ou pairem dúvidas sobre o momento mais importante da cidadania: a votação. Se este instituto cair em descrédito, pouco sobra para a credibilidade das instituições. Foi acertada, portanto, a decisão do TSE de autorizar a auditoria, desde que seja realmente aberta e sem obstáculos, e com seus resultados divulgados após o término dos trabalhos. Se for constatado que não houve problemas, ótimo. Acaba-se com a boataria sobre fraude. Mas se, por outro lado, forem encontradas evidências de manipulação, use-se a lei para resolver. Quem há de temer a transparência? Só quem tem algo a esconder.

Manifestações
Estão marcadas para a tarde deste sábado, 15, novas manifestações em mais de 20 cidades do país, pedindo a auditoria rigorosa das eleições e apuração rápida e transparente dos casos de corrupção envolvendo a Petrobras, entre outros temas relacionados ao governo que tem deixado muitos cidadãos incomodados ultimamente. Os organizadores afirmam que haverá outros mais adiante, e que devem receber adesão crescente da população e da mídia.

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