Domingo, 23 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Cristal
O PTB de Alvorada está tentando juntar os cacos e construir uma reconciliação interna. Depois de parcela do partido ter sido seduzida pelo canto da sereia do governo Serginho, contrariando uma ala mais identificada com a história e com a ideologia da sigla, algumas lideranças começam a acreditar que a adesão à base de apoio da situação não foi uma boa estratégia. Pode ter servido a alguns interesses particulares, mas colocou em jogo, numa aposta alta e muito arriscada, a credibilidade do partido e de seus principais nomes junto à sociedade.

Encruzilhada
Como a avaliação da atual administração não é muito favorável, os petebistas acabam arcando também com este ônus. Foi esta avaliação, tendo no horizonte a eleição municipal de 2016, que motivou a cúpula do partido a discutir seu futuro imediato. Caso ainda tenham a pretensão de lançar um candidato próprio à prefeitura no próximo pleito – e certamente têm –, a permanência na base do governo é um empecilho, e não um facilitador. Tanto pelo desgaste em razão da avaliação ruim do governo pelos eleitores quanto pela dificuldade de apresentar um discurso de oposição, porque estão no mesmo barco.

Lenha na fogueira
Outro ingrediente nesse caldeirão é a possibilidade de um grande nome do partido ocupar uma das maiores secretarias do município, para a qual está sendo sondado. Caso se confirme a indicação, o PTB alargaria a fissura que separa as duas correntes que, entre disputas e embates, ainda acreditam na possibilidade de voltar a pacificar e reunificar o partido.

Mar e rochedo
Ainda que, em nome da “governabilidade”, seja mais oportuno para o governo manter o PTB entre os partidos da base, a iminência do desembarque por aqui de ex-CCs do Estado forçará a administração a desocupar cadeiras na prefeitura. A probabilidade maior é de que os convidados a se retirar sejam os indicados por partidos que não estejam tão próximos do epicentro do poder.

Tubarões ficam fora. Por enquanto.
O juiz federal do Paraná Sérgio Moro, que conduz as investigações sobre a roubalheira na Petrobras – que já mostra indícios de ter ocorrido também em outras áreas de atuação do governo federal – tem sido elogiado pela maneira determinada com que está desvelando o maior escândalo de corrupção da história do Brasil. Uma das estratégias, que está frustrando advogados de acusados da gigantesca pilhagem, é não incluir políticos nesta fase do processo. Algumas pessoas confundem esta atitude com impunidade, mas na verdade é o que está permitindo que o processo possa avançar a passos largos. Se for indiciado algum político agora, qualquer advogado poderá pedir que todo o processo seja encaminhado ao STF, a única instância que pode julgá-los, o que levaria toda a investigação à estaca zero, podendo inclusive anular prisões e provas já coletadas. Moro teve o cuidado de manter-se em sua alçada, e pretende fazê-lo até que conclua a sua parte, coletando o máximo de provas e testemunhos e incluindo todos os que forem considerados envolvidos no mega esquema pilantra. Ao final, com esta etapa encerrada, encaminhará ao STF o material que envolve os políticos, que então serão julgados pela Suprema Corte sem prejudicar todo o trabalho já realizado. Sérgio Moro é um brilhante juiz, que terá seu nome gravado na história deste país. Ainda teremos muito a agradecer a ele.

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