Sábado, 25 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Aberrações da “democracia”
O Congresso Nacional está revelando, sem cerimônias e sem vergonha, um dos lados mais feios do jogo do poder. Os embates que estão sendo travados em torno da aprovação do PLN36, o projeto que a presidente Dilma enviou ao parlamento alterando a Lei do Orçamento de 2014, agora no final do ano, tem servido para que se conheçam melhor os que se dizem nossos representantes.
Deputados e senadores da base do governo se esforçam para encontrar argumentos que ajudem a disfarçar a vergonhosa tentativa do Planalto de livrar a presidente de ser responsabilizada por não cumprir a lei. A manobra é nítida: como o governo não cumpriu a lei, muda-se a lei, ainda que aos 45 minutos do segundo tempo. É como se o dono da bola, perdendo o jogo, resolve a instantes do final da partida que o ganhador é quem sofreu mais gols. Aí os argumentos são do tipo “isso é o melhor para o espírito esportivo”. Com a mesma safadeza deslavada ouve-se de parlamentares que a mudança na LDO é importante para a nação e que por isso precisa ser aprovada logo, e quem é contra a mudança é contra o Brasil. A lei deve ser mudada para preservar empregos. Mudam-se as regras para fomentar o crescimento econômico. Agora no final do ano, altera-se a meta estipulada no ano passado, que determinava que o governo fizesse uma economia de 100 bilhões para pagar os juros da dívida pública, fazendo com que não se precise mais atingir qualquer valor para este fim, com o argumento de que este é um governo responsável... São tantas as asneiras que dá nojo.
Como se não bastasse a sem-vergonhice descarada no plenário, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, proibiu a entrada de cidadãos para assistirem às discussões e a votação da alteração da LDO. Na noite de terça houve forte truculência, tiros de armas de choque, uma senhora de 79 anos recebendo uma “gravata” de um segurança e muito empurra-empurra, tudo para que o povo não pudesse entrar na “casa do povo”.
A oposição se empenhou como poucas vezes se viu, para tentar barrar a mudança da lei, mas está sendo vencida. A maioria da casa é da base do governo, e foi incumbida de salvar a pele da presidente a qualquer custo. O que está em jogo não são os interesses da nação, mas a continuidade do projeto de poder do PT. A presidente também fez a sua parte na lambança. Depois de ter gasto mais do que devia por causa da campanha eleitoral, agora mexe seus pauzinhos, sabendo dos riscos que corre, e acena para a base com o que tem na mão: dinheiro e cargos. Esquece-se, porém, de que o dinheiro não é seu; é nosso. Mas isso não vem ao caso. O importante agora é permanecer grudada no trono.

Aula
Margaret Thatcher, a “dama de ferro” que governou o Reino Unido de 1979 a 1990, proferiu uma das melhores definições de gestão pública, em um discurso ao parlamento britânico:
"Não existe essa coisa de ‘dinheiro público’. Existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos. Quanto do seu dinheiro deve ser gasto pelo Estado e com quanto você deve ficar para gastar com sua família? Não nos esqueçamos: o Estado não tem outra fonte de recursos além do dinheiro que as pessoas ganham por si próprias. Se o Estado deseja gastar mais, ele só pode fazê-lo tomando emprestado sua poupança ou te cobrando mais impostos. E não adianta pensar que outro alguém irá pagar. Esse ‘alguém’ é você. A prosperidade não virá por inventarmos mais e mais programas generosos de gastos públicos. Você não enriquece por pedir outro talão de cheques ao banco. E nenhuma nação jamais se tornou próspera por tributar seus cidadãos além de sua capacidade de pagar."

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