Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


“É perturbador como as pessoas que mais almejam o poder sejam as mais hábeis em conquistá-lo e as menos aptas a exercê-lo.”
Agora é oficial. PDT também está na base de apoio do prefeito Professor Serginho, enfileirando-se com o PTB e outros que até já estavam se acostumando a ser chamados de “cartolas” e outros apelidos mais pejorativos pelos petistas até há bem pouco tempo.
Depuseram as armas e capitularam. A bem da verdade, as armas já estavam no chão muito antes. Já não vinha sendo gasta nenhuma munição pelos brizolistas alvoradenses contra o governo. A artilharia pesada que se verificou durante a última campanha e no começo do mandato foi começando a ser poupada. E não porque a munição estivesse acabando, ou porque o governo deixara de ser um alvo fácil e reforçara suas defesas. Nem mesmo porque pedetistas e petebistas corressem o risco de ser dizimados pelos contra-ataques da turma da situação. Ao contrário. Munição não faltava. Havia muito a disparar contra o governo, para qualquer um que se dispusesse a assumir a condição de oposição.
A gestão do município de Alvorada é sofrível, e não é preciso ser um especialista em administração pública para constatar. Foram dois anos assombrosos. E nem o governo conseguiu demonstrar capacidade de reação a críticas. Baratas tontas às vezes se coordenam melhor. Episódios como as greves, a buraqueira endêmica se multiplicando pelas ruas, o vai-e-vem do estacionamento nas calçadas, o fiasco da gestão da saúde, a tentativa de fazer o IPTU aumentar mais de 100%... essas e muitas outras inépcias administrativas naturalmente causaram reações furiosas, conseguindo a proeza de reunir num mesmo coro setores da classe política, empresários, lideranças sociais e a população, mas o posicionamento do governo e sua interlocução com seus públicos ficava a desejar.
Portanto o governo é um alvo fácil. Age como um recruta desavisado que faz fogueira à noite e denuncia sua posição, mesmo sabendo que o inimigo está logo ali adiante. E o inimigo, que na política é sutilmente chamado de oposição, não costuma perder essas oportunidades, tendo armamento, munição e um alvo à vista.
Mas a política não é guerra, felizmente. Na política, todos pretendem vencer, e não há necessidade de haver perdedores entre eles. Há os que não tem pudor qualquer, nem para pôr em prática o velho adágio “se não puder vencê-los, junte-se a eles”, e nem para qualquer outra coisa. Pudor é para velhinhas recatadas, beatas e fracos em geral. Há interesses mais nobres a perseguir. Status, poder e um dinheirinho na conta ao final de cada mês são argumentos bem convincentes para muitos, e cada homem tem o seu preço.
PTB e PDT capitularam porque quiseram. Não estavam sob a mira do inimigo. Não estavam sem munição. Só não queriam esperar mais dois anos para poder voltar a abocanhar uns nacos do poder. O canto da sereia governista seduziu-os, lenta mas fatalmente. Assinaram seu acordo de paz, sem precisar pagar qualquer indenização. Pelo contrário, até receberam sua cota de mimos. PDT assume três secretarias municipais e passa a fazer retratos sorridentes com o prefeito e sua turma. Afinal, se todos agora estão sorrindo, não há perdedores entre eles.
Os perdedores estão do lado de cá. Nas casas, nas ruas, nos empregos e em busca deles.
Mas ficou aqui uma pulguinha incomodando: até quando vai a adesão do PDT ao governo? Até quando duram suas convicções da hora? Agora foi casamento, coisa séria, que pretende levar todos juntos aos palanques no ano que vem, ou seria só uma estratégia de curto prazo para garantir uns salários até antes da próxima campanha, e aí pular fora para tentar nova carreira de oposição? Quem muda de discurso a toda hora acaba dando margem pra esse tipo de dúvida, que já ouvi de um bom número de eleitores por aí.

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