Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Na fatídica sessão extraordinária da Câmara que ocorreu entre os feriadões de Natal e Ano Novo, numa sexta de tardezinha, dia 26 de dezembro, foram aprovados pelos nobres vereadores, assim, ligeirinho, uma lista de projetos encaminhados pelo prefeito Professor Serginho. Um deles, já bastante comentado mas que ainda está longe de ser resolvido, foi o que possibilitou o reajuste de IPTU em pelo menos 100%, e que agora está sendo discutido na Justiça. Mas teve outros, que igualmente mereceriam maior discussão antes de serem votados, mas em razão da submissão da base aliada no Legislativo às vontades do Executivo, passaram batido. É lamentável que integrantes de um dos poderes se submeta a descartar a própria autonomia, sujeitando-se a servir apenas de avalista de outro, numa vergonhosa troca de interesses, quando sua função seria a de legislar e fiscalizar, que é justamente o que a sociedade espera deles. E que, aliás, prometeram à sociedade para angariar seus preciosos votinhos.
Um desses projetos, digamos... curiosos, é o que prevê uma verba a ser entregue a alunos maiores de 16 anos para que não abandonem os estudos, quando matriculados no Ensino Médio ou no EJA. Quer dizer, compra-se a frequência do aluno com dinheiro. Não com boas aulas, professores dedicados e motivados, ou estrutura adequada. Não, compra-se com dinheiro mesmo. O aluno que não abandonar a escola antes da conclusão é premiado com um troquinho no bolso, não importa o aproveitamento dos estudos, se estava de corpo presente e espírito nas nuvens, se demonstrou dedicação ou não. Importa é que ajude a diminuir os índices de evasão escolar, que andam altos. E com um detalhe, igualmente curioso: em razão da idade, esses alunos são também eleitores. Curioso. Decepcionantemente curioso.
Crise de imagem
Sim, a imagem do governo federal está em crise, mas não é só ela. A credibilidade, a competência, a gestão, muita coisa está em crise. Recentes pesquisas de opinião revelam que metade da população acredita que a presidente Dilma é mentirosa, sabia da roubalheira toda de seu governo e não é confiável. Para tentar resolver suas crises de credibilidade, o governo faz o quê? Substitui gestores desgastados por profissionais mais qualificados? Não, ao contrário. Graça Foster foi trocada, no comando da Petrobras, pelo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, da turma da Dilma, que entende bulhufas de petróleo. O resultado, previsível, foi mais corrosão no valor das ações da estatal. O mercado entendeu que a prioridade do governo não é salvar a companhia, mas a si próprio.
Igualmente corporativa, pra usar um termo mais ameno, foi a nomeação da nova presidente da Caixa. A ex-ministra Miriam Belchior, leal ao partido e que integrou os governos de Lula e Dilma, e que faz parte do Conselho de Administração da Petrobras, agora é premiada com o comando de uma instituição financeira gigante, estratégica para o governo. Sua formação é em engenharia de alimentos, e construiu carreira política ascendente, tendo iniciado nos movimentos sociais do ABC paulista. Foi casada com o prefeito petista Celso Daniel, de Santo André, assassinado em um caso ainda não esclarecido, que causa arrepios na cúpula de Brasília sempre que é mencionado. Os dois já estavam separados quando aconteceu o crime.
A linha de frente na Esplanada dos Ministérios segue o mesmo padrão. Os titulares das 39 pastas foram colocados lá através de arranjos que garantissem sustentação política ao governo, não por suas aptidões administrativas. O que faz Cid Gomes no Ministério da Educação? Eliseu Padilha na Aviação Civil? Aldo Rebelo na Ciência e Tecnologia? Ah, faça-me o favor! Depois fica o governo aí se queixando de crise de imagem...

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