Segunda-Feira, 18 de Dezembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Diz a brincadeira que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Mas de tanto se repetir a gozação, acaba se transformando em verdade, parece. Já estamos quase chegando no terceiro mês do ano, e nada de ver o Brasil decolar. Ao contrário. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse a empresários e investidores americanos, durante reunião em Nova York nesta semana, que o PIB brasileiro de 2014 deverá fechar negativo. O número oficial ainda não está fechado, mas certamente estaremos no vermelho. No início do ano passado, o governo previa um crescimento próximo de 3%, e foi revisando a projeção a cada mês, para baixo, mas durante a campanha eleitoral garantiu que o pior já havia passado, e que no final do ano voltaríamos a crescer. Mentiram, como se sabe. Toda a atividade econômica continuou regredindo até o final do ano, e vai continuar piorando em 2015. Tanto que o próprio Banco Central já prevê, agora, um PIB negativo para este ano, na ordem de -0,4%. Ou seja, ao final do ano poderemos ter algo em torno de 2% de encolhimento da riqueza nacional.
A inflação, por outro lado, outra mentira presidencial, insiste em aparecer acima da meta, e o BC projeta algo em torno de 7,5% para este ano. Isto agora. Vamos ver os ajustes das previsões ao longo do ano, que não promete ser tão feliz assim.

Vai pro Pronatec?
As finanças do governo andam mesmo muito mal. 2014 apresentou o pior déficit das contas públicas da história. Um rombo de R$ 25,5 bilhões, mesmo usando de todas as maquiagens e “contabilidades criativas” que se pode imaginar. Muitos pagamentos estão em atraso, tanto a estados e municípios quanto a parceiros da iniciativa privada. Um caso pitoresco é o do Pronatec, aqueles cursinhos profissionalizantes que a candidata Dilma Rousseff sugeriu que uma engenheira aposentada frequentasse, para estar melhor qualificada para voltar ao mercado de trabalho. O episódio, claro, virou mais uma chacota no anedotário eleitoral, mas o aspecto curioso é que a própria Dilma não está honrando os compromissos para manter o programa funcionando. Só no RS existe um rombo de R$ 50 milhões que deveriam ter sido repassados ao SESI, que ministra cursos através do programa, mas desde outubro do ano passado não vê a cor do dinheiro. A instituição já anunciou que, para não prejudicar os alunos, vai manter os cursos que estão em andamento, e cobrar judicialmente os recursos do governo, mas novas turmas não serão mais abertas. A mesma situação se verifica em quase todos os estados da federação.

Nos dedos
Enquanto isso, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tenta encontrar maneiras de aliviar a situação dos empresários presos na operação Lava Jato, antes que acabem fazendo mais acordos de delação. O encontro que teve com advogados das empreiteiras pegou muito mal. O juiz federal Sérgio Moro, que está à frente do caso, não deixou por menos: “Justiça e Política devem ser como óleo e água e jamais se misturarem. (...) Apesar da Polícia Federal, órgão responsável pela investigação, estar vinculada ao Ministério, o Ministro da Justiça não é o responsável pelas ações de investigações, cabendo-lhe apenas dar à Polícia Federal as condições estruturais de realizar o seu trabalho com independência. (...) Há, é certo, quem prefira culpar a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até mesmo este Juízo pela situação atual da Petrobrás, em uma estranha inversão de valores. Entretanto, o policial que descobre o cadáver não se torna culpado pelo homicídio e a responsabilidade pelos imensos danos sofridos pela Petrobrás e pela economia brasileira só pode recair sobre os criminosos, os corruptos e corruptores.”

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