Segunda-Feira, 24 de Abril de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Bate e assopra
Enquanto o ministro da Secretaria-Geral, Miguel Rosseto, responsável pela interlocução do governo com os movimentos sociais, dizia diplomaticamente que a paralização dos caminhoneiros é legítima, o ministro da Defesa, José Eduardo Cardozo, a mando da presidente Dilma, acionava a Justiça pedindo a decretação da ilegalidade da paralização e multas pesadas para os caminhoneiros, individualmente. Cardozo pediu multa de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hora para cada motorista. Como não conseguiu identificar um sindicato, associação ou qualquer entidade que representasse toda a categoria, a estratégia foi atingir o bolso de cada um dos descontentes. Na falta de melhor argumento, usa-se a intimidação.

Tiro no pé
A tática de penalizar os já empobrecidos motoristas, entretanto, deverá servir para acirrar ainda mais os ânimos. Os caminhoneiros têm recebido apoio crescente da sociedade, apesar de alguns problemas pontuais de desabastecimento decorrentes da greve. Ainda que a grande mídia insista em reproduzir o discurso governista de que as reivindicações são limitadas ao preço do diesel e às condições ruins das estradas, o que eleva os custos do transporte e compromete a lucratividade, o que move os manifestantes vai bem além. Trata-se de expor a insatisfação com o atual governo, que tem se revelado, além de ineficiente, muito corrupto, o que acabou gerando a deterioração da economia do país e, claro, do setor, pela falta de planejamento e investimentos. E, como sempre, quem paga a conta é quem está na ponta. No caso, trabalhadores e consumidores. Nós, enfim, a sociedade, onde estão incluídos os caminhoneiros.

Prelúdio
O movimento dos caminhoneiros está servindo de ensaio para a manifestação do dia 15 de março, que promete mobilizar milhões de pessoas pelo Brasil. O governo tem acompanhado com muita atenção, e apreensão, especialmente pelas redes sociais, como o movimento tem crescido, sem conseguir, por enquanto, reagir para neutralizar a mobilização.

Transparência
O Ministério Público Federal publicou na internet um site específico para a Operação Lava Jato, esclarecendo todos os aspectos da operação. Tudo o que já foi apurado até agora, as diferentes fases, quem foi preso e de que está sendo acusado, como funcionava (ou ainda funciona) o esquema de pilhagem da Petrobras para financiar os partidos da base do governo, e muito mais. Melhor assim, antes que essas informações valiosas ficassem na mão de poucas pessoas, que talvez pudessem correr o risco de desaparecer com elas. O endereço é www.lavajato.mpf.mp.br.

Volta às aulas
Todo o ano é a mesma coisa, e vai continuar sendo enquanto educação não for prioridade. As aulas reiniciam e a comunidade escolar sofre com toda a sorte de desencontros. No estado, faltam professores a cada reinício de ano letivo, o que é um problema histórico. No município, alunos são enviados para escolas distantes de suas casas, a estrutura física vem se deteriorando e a qualidade da formação das crianças piora a olhos vistos. Não há como criar uma sociedade melhor dessa forma, nem que tossissem todas as vacas do mundo. A mensagem que se passa é a mesma que disse o falecido educador Darcy Ribeiro há algumas décadas: “A crise na educação não é uma crise; é um projeto.”

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