Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Vereadores cogitam cancelar reajuste de taxa do lixo, considerado abusivo pelos contribuintes e que virou objeto de processo judicial. Estariam querendo se livrar de eventual responsabilização se a ação fosse considerada procedente e a Justiça mandasse voltar aos valores anteriores e condenasse os que permitiram o aumento? Apenas uma hipótese, pode não ser nada disso. Mas pra quem conhece o imbróglio em que se converteu o reajuste do IPTU em mais de 100%, aprovado no afogadilho pela Câmara no apagar das luzes de 2014, em meio aos feriadões de fim de ano, e cancelado na Justiça logo depois, pode parecer prudente rever alguns conceitos.

Abandonando o navio
Ano que precede eleição costuma ter grande movimento migratório entre partidos. Uns saem daqui para se filiarem lá, outros fazem o caminho inverso, e todos buscam o que possa trazer melhores ganhos eleitorais no próximo pleito. Mas repercutiu na cidade a desfiliação coletiva de cerca de 30 militantes do PT. Por ser o partido atualmente no poder, e com possibilidade de reeleição, chama a atenção que um grupo desse porte, entre os quais conhecidos nomes que ostentavam a estrela vermelha no peito há muito tempo, tome decisão tão contundente.
São basicamente duas as motivações: a avaliação do governo pela sociedade é muito ruim, a ponto de comprometer as chances da reeleição e arranhar a imagem de quem ainda ouse defende-lo, e alguns indivíduos que tem pretensões políticas pessoais, que percebem que no PT não teriam espaço para viabilizar.

Não é só aqui
A debandada do PT é um fenômeno nacional, que vem se acentuando. Os descontentes, sempre em maior número, não tendo mais como resistir às bruscas guinadas sofridas pela sigla (tanto na questão da corrupção, que ridiculariza os antigos discursos pela ética, quanto pelos modelos de gestão, que seguem justamente a receita neoliberal tão condenada pela esquerda), buscam solucionar suas crises de identidade. Alguns, ideologicamente mais radicais e fiéis aos princípios que nortearam a criação do PT, vão em busca de partidos mais à esquerda, com o argumento de “manter a coerência”. Outros saem porque perceberam a inconsistência dos discursos das elites petistas, enxergam que eles não se sustentam no mundo real, e que as bravatas da “luta de classes”, do “ódio de ricos contra pobres” e da “opressão das elites” foram enterradas pela História, junto com os escombros do Muro de Berlim. O mundo atual pede novas abordagens, menos utópicas e mais objetivas, para apresentar as soluções necessárias. O modelo lulo-petista se esgotou, e só tem feito mal ao Brasil. E, por essas e outras razões, outras levas de descontentes continuarão apresentando suas cartas de desfiliação.

Seis por meia-dúzia
O governo municipal anunciou a troca de dois secretários: o da Cultura e o de Serviços Urbanos. Um pelo outro. Passou a impressão de que não valoriza nem uma área nem outra, porque nenhum dos secretários demonstrava intimidade com as respectivas pastas. Com a troca, continua a mesma paralisia, nada muda para a cidade. O objetivo é apenas dar mais visibilidade a um deles, preparando seu caminho para as eleições do próximo ano. Como já escrito aqui alguns pares de vezes, a prioridade não é a cidade e a sociedade, mas a perpetuação do poder, o que até petistas mais empenhados estão tendo dificuldade de disfarçar, ao ponto de preferirem a deserção.

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