Segunda-Feira, 22 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


A Câmara dos Deputados está votando alterações nas regras eleitorais. Chamam isso de Reforma Política, mas aí já é um grande exagero. Reforma política vai muito além do sistema eleitoral. De qualquer forma, algumas regras podem acabar mudando já para a próxima eleição, mas grande parte vai permanecer como era antes. A classe política não é muito inclinada a abdicar de privilégios.
Novidade 1
Uma das alterações já aprovadas é o fim da reeleição para o Executivo. Ainda precisa passar pelo Senado, mas há boas chances de vigorar. Pelo menos uma boa notícia, que a grande maioria da sociedade esperava. Entretanto, prefeitos e governadores que tenham sido eleitos pela primeira vez na última eleição ainda terão direito a concorrer a um segundo mandato. Só os seguintes entram na nova regra.
Novidade 2
Também foram extintas as coligações para candidaturas a vereador e deputados, mas mantido o preenchimento das cadeiras pelo coeficiente eleitoral, agora calculado por partido, e não mais por coligação. Um método complicado, que a maioria do povo não entende, e que causa algumas distorções. Muitas vezes acaba elegendo candidatos com pouca votação, porque são carregados por outro candidato do mesmo partido que fez muitos votos, e deixa de fora candidatos bem votados de outros partidos que não atingiram o tal coeficiente. Não parece muito justo, mas a alternativa proposta pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, parecia ainda pior. O “distritão”, que foi rejeitado, previa a eleição dos candidatos mais votados, independentemente de partidos ou coligações, sem o uso do coeficiente. O grande risco, temido por caciques partidários, seria elegerem-se celebridades, sem comprometimento ideológico, o que enfraqueceria os partidos.
Expectativa
Setores do PT de Alvorada aguardam ansiosos a definição da reeleição. Se for mantida para prefeitos atualmente em exercício, do jeito que foi aprovado pela Câmara, o caminho natural é levar o Professor Serginho para a tentativa do segundo mandato. Caso fosse extinta a reeleição já agora, seria a desculpa que faltava para colocar um candidato mais competitivo para manter o PT na prefeitura, porque a reeleição de Serginho parece um objetivo cada vez mais difícil de ser atingido, a julgar pela percepção que se colhe pelas ruas.
Muito cacique
A falta de cuidado com a cidade por parte da prefeitura é inquietante. O que torna o quadro ainda mais decepcionante é a quantidade de pessoas e estruturas que deveriam estar a serviço da cidade e que custam a apresentar resultados. O estado das ruas e da limpeza urbana é um exemplo claro. Contamos com uma secretaria de Obras, outra de Serviços Urbanos, mais uma de Planejamento Urbano e a de Meio Ambiente, além de outras que levam no nome “Turismo” e “Mobilidade Urbana”. Todas, de alguma maneira, estão relacionadas com o tema, mas ainda assim os resultados não aparecem. E todas contam com um secretário, um secretário-adjunto (cargo criado pelo atual prefeito), um diretor geral (que antes fazia a função do adjunto), vários diretores simples, coordenadores e mais uma penca de outros Cargos Comissionados, além do quadro de funcionários concursados. O que falta, então, para a administração acontecer? Pra que estão lá esses quase 500 CCs?

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