Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Na semana passada, publicamos que a Câmara dos Deputados havia extinguido a possibilidade de coligações entre partidos para a eleição de vereadores e deputados, mas na noite de quinta-feira, quando o Jornal A Semana já estava sendo impresso, os deputados reverteram a decisão. O fim das coligações realmente havia sido aprovado no primeiro turno da votação sobre a reforma eleitoral, mas no segundo turno foram mantidas as coligações, da forma como já era. O mesmo ocorreu com o financiamento empresarial de campanhas, extinguido no primeiro turno e ressuscitado no segundo.
Muitos deputados acusaram o presidente Eduardo Cunha de usar de manobras para alterar a votação, mas esquecem de mencionar que quem votou foram os próprios deputados, que deram maioria aos itens aprovados, e não Eduardo Cunha sozinho.
O ‘X’ da questão do financiamento
O maior interessado no fim do financiamento privado para campanhas eleitorais é o PT, que defende abertamente o financiamento público exclusivo. Ou seja, para os petistas, é o contribuinte que deve sustentar os partidos, como se não houvessem destinos mais urgentes para o dinheiro público. Mas o discurso de que o financiamento das empresas é a raiz da corrupção é uma cortina de fumaça. Se acreditassem mesmo nisso, bastaria não aceitarem o dinheiro das empresas e não se corromperem quando estivessem no poder. O problema da corrupção é de caráter. O que realmente mobiliza os petistas é que o Fundo Partidário e um eventual novo Fundo Eleitoral com dinheiro público é uma fonte garantida, mas limitada. Com a enorme quantidade de partidos para dividir o bolo, o que sobra para cada um fica muito abaixo do que se costuma gastar nas campanhas. E é aí que o PT leva vantagem sobre os partidos de oposição: estes não poderiam buscar mais recursos de doadores privados, mas o PT e seus aliados, que estão no poder e empregam dezenas de milhares de filiados nos incontáveis Cargos em Comissão da máquina administrativa federal por todo o país, arrecadam mensalmente, de cada um, uma “contribuição” que rende milhões por mês ao partido. Quem não está no governo não tem essa mamata. Portanto, uma forma institucionalizada de garantir mais dinheiro público, além dos Fundos, para financiar quem já está no poder para que continue lá, e ao mesmo tempo limitar a capacidade financeira da oposição. Dinheiro público, sim, porque quem paga os salários dos CCs é o contribuinte, e parte desse salário acaba no caixa dos respectivos partidos. E, claro, tem ainda os recursos de meios não tão “lícitos”, como o “petrolão” e outros tantos esquemas que teimam em ser revelados quase diariamente.
Tabuleiro eleitoral
A movimentação já é intensa. Vários nomes estão se apresentando como pré-candidatos à prefeitura e à Câmara para o próximo ano. Lideranças políticas têm se reunido para traçar estratégias, tanto da parte dos partidos da base do governo quanto da oposição e, curiosamente, partidos da base que se preparam para ser oposição. Uma verdadeira Babel.
“Todos contra o PT”
O ex-prefeito Carlos Brum foi voz vencida no PTB quando lideranças do partido decidiram se alinhar com o PT após a derrota nas últimas eleições. Entende que deveriam manter a coerência e permanecer como oposição, tanto que continua os esforços para trazer os petebistas de volta e convida outras forças a engrossarem as fileiras. Brum está organizando um grande encontro com várias lideranças, na próxima quinta, 11/6, às 19h, justamente na sede do PTB, tendo como pauta as próximas eleições. “Quem chegar na reunião com a intenção de tirar o PT da prefeitura será bem-vindo”, avisou.

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