Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


O preço da energia deve subir mais 41% neste ano, além de tudo o que já subiu, e a gasolina deve ter mais reajustes, acima de 9%, segundo o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Os dois componentes têm peso expressivo no cálculo da inflação, que já passa dos 8%, o dobro do centro da meta, e tende a se intensificar em 2015. No mesmo documento que traz as previsões sombrias para este ano, consta o aumento da taxa básica de juros (Selic) para 13,75%, a maior desde 2009.

Um dia após o outro
PT volta atrás e quer manter doações privadas. Menos de dois meses depois de anunciar que não receberia mais doações de empresas, o partido se articula para continuar a captar esses recursos. No 5º congresso petista, que começou nesta quinta-feira, em Salvador, o grupo majoritário, que comanda o partido, apresentará uma resolução para manter as doações privadas a fim de que os diretórios possam pagar dívidas de campanhas eleitorais. São Paulo, por exemplo, tem uma dívida de cerca de R$ 55 milhões. Como as costumeiras doações das empreiteiras amigas, oficiais ou via caixa 2, estão suspensas, em razão das investigações do ‘petrolão’, secaram as fontes, e os credores estão pressionando. O discurso do combate à corrupção pode esperar mais um pouco; por hora tem outras prioridades.

Pra boi dormir
O pacote bilionário que o governo federal anunciou nesta semana, para alavancar o desenvolvimento do Brasil através de investimentos em infraestrutura, não passa de um grande engodo enfeitado com uma bela campanha de marketing para salvar a imagem da presidente Dilma. Senão, vejamos:
1 – Falou-se de investimentos de R$ 192 bilhões, os maiores da história para o setor. Para o observador desatento, parece que o governo resolveu abrir os cofres. Mas na verdade o programa, por enquanto apenas uma carta de intenções, prevê a concessão de estradas, ferrovias, portos e aeroportos para a iniciativa privada. São as empresas que deverão investir, para, em toca, usufruírem da concessão por até 30 anos, renováveis por iguais períodos. O nome disso é privatização, palavra tão abominada pelos petistas quando eram oposição.
2 – Quem vai pagar essa conta, no final, é o cidadão, através de pedágios, taxas e tarifas aos operadores dos serviços. O governo, além de não gastar nas obras, mesmo cobrando impostos para isso, vai forrar os cofres com os valores pagos pelos vencedores das licitações, além dos novos impostos que os pedágios e taxas vão gerar.
3 - As primeiras licitações devem começar a ser publicadas a partir de 2016. Tem toda uma fase de estudos técnicos primeiro, que já costuma ser demorada, e neste caso, com a complexidade e a diversidade de projetos, vai consumir muitos meses até começar a se transformar em obras.
4 - Alguns projetos já se mostram inviáveis, como a badalada ferrovia “bi-oceânica” do Rio ao Peru, que seria financiada pela China, e outros não tem despertado interesse no mercado, pela expectativa de alto custo e baixo retorno.
5 – Mesmo as obras que vierem a ser realizadas somente começarão a produzir algum resultado daqui a muitos anos. Os gargalos de infraestrutura são expressivos por todo o país, há uma defasagem de décadas, e não será em dois ou três anos que tudo estará resolvido.
Enfim, só mais um amontoado de promessas, bem ao estilo da última campanha eleitoral.

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