Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


A discussão sobre a redução da maioridade penal ocupou a atenção de boa parte dos brasileiros nos últimos dias. Nada como uma boa polêmica para desviar um pouco a atenção da grave crise que fragiliza o governo. Com a aprovação em 9%, Dilma ganha uns minutos para respirar, enquanto pensa em novas ofensivas para barrar os movimentos pela sua derrubada.

Inimigo na trincheira
O próprio presidente Lula está tramando puxar o tapete de Dilma. Aproveitando-se de sua ausência, durante viagem aos Estados Unidos, o ex-presidente reuniu lideranças do PMDB, à revelia do presidente do partido, Michel Temer, que é próximo de Dilma. Uma alternativa provável é sacrificar a presidente, o que acalmaria os ânimos da população, e ajudaria a diminuir a pressão provocada pelas investigações da operação Lava-Jato. Tanto PT quanto PMDB estão muito enrolados no “petrolão”, e poderiam até contar com a ajuda do PSDB, que também tem nomes envolvidos, para “melar” as investigações depois da substituição de Dilma. Um quadro que interessa a todos.

Vão-se os dedos...
...mas ficam os anéis. Lula tem interesse especial, e pessoal, em oferecer a cabeça de Dilma. Quer salvar a própria pele, isolando-se dos escândalos que ameaçam causar a queda do governo, e mantendo-se afastado da onda de insatisfação com a desastrada administração petista. Como já demonstrou em outras oportunidades, não tem pudor em usar aliados como escudo. José Dirceu, com outros figurões do círculo próximo de Lula, no caso do mensalão, sabem bem o que é isso. E Dilma, sua criação, também já começou a conhecer a face mais perversa de seu criador.

Contra o relógio
O dique do Arroio Feijó mais uma vez é tema de discussão. E vai continuar sendo. A tão esperada solução para as cheias que afetam centenas de famílias ajuda a manter o discurso do governo municipal, de que está se empenhando para resolver o problema. Desde 2013, quando a Metroplan anunciou que já havia recursos garantidos junto ao Ministério das Cidades, no valor de R$ 228,5 milhões, para a construção da obra, a cada pequeno movimento se produz um noticiário para renovar a esperança das famílias. Na última quarta foi realizada uma audiência pública para relatar o andamento dos estudos que estão sendo realizados. Mas a obra, que interessa de fato, ainda deve demorar. Com o aperto das contas do governo federal, tão cedo não será possível ligar as máquinas. Mas o prefeito tem pressa. Conta com algo visível ainda antes da campanha eleitoral do próximo ano.

Premonição
Publicado aqui em 12/02: "No início do ano passado, o governo previa um crescimento do PIB próximo de 3%, e foi revisando a projeção a cada mês, para baixo (fechou 2014 em 0%). (...) e vai continuar piorando em 2015. Tanto que o próprio Banco Central já prevê, agora, um PIB negativo para este ano, na ordem de -0,4%. Ou seja, ao final do ano poderemos ter algo em torno de 2% de encolhimento da riqueza nacional.” Nesta semana saiu nova previsão, agora de -0,9%. Infelizmente nossa intuição tem se confirmado. Já não me surpreende se até passar dos -2% que havíamos previsto em fevereiro. Por outro lado, Dilma finalmente conseguiu equilibrar alguns números: 9% de aprovação com 9% de inflação.

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