Segunda-Feira, 22 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Nos últimos 15 dias foram realizadas diversas audiências do processo da chamada Operação Cartola, promovida pela polícia civil em julho de 2011 durante o governo Tarso Genro (PT), contra a prefeitura de Alvorada e o governo Brum. Na semana passada foram ouvidas 60 testemunhas de acusação e defesa, e nesta semana foram interrogados os réus no processo, entre eles o ex-prefeito. Carlos Brum sempre negou as acusações, e atribuiu a Operação Cartola a uma articulação do governo Tarso Genro, com a ajuda de petistas de Alvorada, para fragilizar a imagem de sua administração e, com isso, viabilizar a vitória do PT nas eleições de 2012. O ex-prefeito tem afirmado que, se houver justiça, ele será inocentado e finalmente será revelada toda a verdade sobre a "Operação Circo", como costuma se referir ao episódio. A previsão é de que a Justiça Federal conclua o julgamento antes do final deste ano.

Cinema I
Notícia veiculada nos últimos dias, sobre a criação de uma Escola de Cinema no município, provocou debates acalorados nas redes sociais. De um lado, críticos do governo condenam o uso sistemático de critérios político-partidários para pautar as ações da administração, privilegiando os que tenham afinidade com o partido e boicotando os que não tenham. De outro, defensores do projeto Clube da 5, que prevê oficinas de cinema nas escolas da rede municipal e a futura criação da Escola de Cinema, sustentam que a iniciativa é válida e deve ter o apoio da administração pública.

Cinema II
Todos têm razão. Mas não estão falando da mesma coisa. O projeto Clube das 5, que é muito interessante, está sendo apoiado pelo governo municipal pela afinidade ideológica entre os realizadores e os agentes políticos envolvidos. Houve até um esforço conjunto para garantir junto ao Ministério da Cultura a liberação de R$ 500 mil para o projeto. Enquanto isso, para embasar a argumentação dos críticos, o Projeto Alvoroço, do cineasta Evandro Berlesi, é solenemente ignorado pela atual administração, por ter recebido apoio do governo anterior.

Cinema III
Berlesi e seu Alvoroço já lançaram três filmes, todos rodados aqui, sem qualquer verba pública. Percorreram escolas com oficinas, formaram atores, trouxeram celebridades, como Luana Piovani, para gravar em Alvorada, projetaram a cidade para todo o Brasil, seus filmes passam na TV... mas a turminha que hoje ocupa o Paço Municipal deu de ombros. É mais uma das marcas da administração anterior, pensam, que precisa ser apagada. Assim, estas e outras conquistas da sociedade vão sendo relegadas às gavetas. Alguém lembra do Hino de Alvorada?

O golpe do golpismo
Dilma Rousseff, que percebe se aproximar rapidamente o fim abreviado de seu mandato, tem repetido o mantra de que as críticas e os processos contra seu governo são um golpe. Não são. Toda a investigação sobre os roubos à Petrobras e outras falcatruas em conluio com empreiteiras, o processo que corre na Justiça Eleitoral, sobre uso de dinheiro sujo na campanha, e a provável rejeição das “pedaladas” pelo Tribunal de Contas, tudo corre dentro da lei e da ordem democrática. Se a consequência disso for a destituição da presidente, terá sido dentro das normas do Estado de Direito. “Golpe” não passa de uma palavra de efeito para mobilizar a militância e preparar uma contraofensiva nas ruas, e até violenta, se preciso. Stédile e suas tropas do MST já estão de prontidão. Aí, sim, teremos uma tentativa de golpe.

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