Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com



Ontem foi uma data especial para nós, alvoradenses. Completamos 50 anos de emancipação. Há cinco décadas foi fundado o município, que recebeu o nome de Alvorada em referência ao palácio presidencial recentemente inaugurado em Brasília, e também como uma homenagem à pequena população da região na época, então conhecida como o 3º Distrito de Viamão, ou Passo do Feijó, que se habituava a levantar antes do raiar do sol.
Muitos moradores não sabem por que ontem as lojas estavam fechadas e as escolas não tiveram aula; qual era o motivo do feriado. Muitos nem perceberam o dia atípico, porque, como nos outros dias da semana, saíram de suas casas antes da alvorada para trabalhar em outras cidades e retornaram à noite, como já se fazia há cinquenta anos. Para estas, faltou chegar a informação de que estamos comemorando o Jubileu de Ouro da cidade.
Mesmo sendo uma data importante, as celebrações estão sendo tímidas. E o motivo foi a falta de planejamento, apesar dos discursos oficiais de escassez de recursos ou de ser um momento inadequado para comemorações por causa das últimas enchentes. Isso é apenas uma rasa desculpa para mascarar a falta de iniciativa. Mesmo antes das enchentes, não havia qualquer movimentação para planejar uma grande festa para a cidade. O ano do cinquentenário começou em 18 de setembro do ano passado, assim que Alvorada tinha acabado de completar 49 anos no dia 17. Desde lá, portanto, poderíamos estar agitando a cidade em torno das comemorações de 50 anos de emancipação. Poderíamos ter organizado celebrações na Praça e nos bairros, inaugurado uma placa ou um novo serviço público, criado um símbolo que ficasse como marco permanente da passagem do cinquentenário. Mas nada disso ocorreu. Até o tradicional Baile Municipal, que acontecia todos os anos, com o propósito de arrecadar fundos para instituições beneficentes, até esse baile foi cancelado neste ano. A desculpa, de novo, foi a enchente, mas era outro tipo de clima que não estava propício: o clima político. Até as enchentes poderiam ter sido mais um argumento para a realização do baile, para arrecadar ainda mais doações às pessoas afetadas. Mas o fato é que a desorganização interna da administração conseguiu, também aí, num simples baile, acabar com o que vinha funcionando bem.
Há que diga que não há o que comemorar, por causa do abandono em que se encontra a cidade. Mas essa história de 50 anos é maior do que um governo, qualquer governo. Mesmo que parcela expressiva da população não aprove a atual administração, Alvorada tem, sim, o que celebrar. Afinal, nestas cinco décadas, houve avanços importantes. De um lugar ermo e pouco povoado, chegamos a mais de 200 mil habitantes e tivemos avanços. Verdade, poderíamos ter tido mais. Mas não ficamos parados no tempo. Moradores daquela época deverão concordar. Temos um comércio pujante, diversificada prestação de serviços, um Distrito Industrial que, ainda que vagarosamente, vem abrigando sempre mais empresas que ajudam a gerar riqueza para o município. Estamos recebendo um shopping e um belo conjunto de torres residenciais e comerciais. Temos uma produção cultural interessante, que já levou nosso nome para todo o território nacional e até para o exterior. Enfim, exemplos não faltam.
A constatação de que parte expressiva dos nossos avanços foi promovida pela iniciativa privada, e não pela administração municipal, reforça o argumento de que governos passam, mas a cidade fica. Por isso, sim, temos que celebrar. Nós, sociedade, cidadãos, devemos parabenizar a nossa cidade pelo seu aniversário. E isso não significa homenagear a prefeitura, ou a Câmara de Vereadores, ou a classe política, caso alguém ainda diga que não há o que celebrar. Significa valorizar a bela história da nossa cidade, que começou há 50 anos e tem um futuro imenso e promissor pela frente. Parabéns, Alvorada. Estamos, sim, felizes em celebrar os teus 50 anos.

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