Quarta-Feira, 24 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


À deriva

No teatro político, em Brasília, está sendo montado um cenário esdrúxulo. Burlesco. A cena é de um barco, chamado Brasil, que navega às cegas por águas turbulentas. O timoneiro sumiu.
Dilma Rousseff está encurralada por todos os lados. Tem menos de 10% de apoio popular, e mais de dois terços dos eleitores querem sua saída. Tribunal de Contas, Controladoria Geral da União e Tribunal Eleitoral analisam suas contas, e todos estão prestes a reprová-las. Cresce no Congresso a movimentação por um processo de impeachment, do qual Dilma tenta se livrar distribuindo cargos, desde ministérios a escalões inferiores, para comprar a simpatia e os votos de deputados e senadores. Aposta alta e arriscada, porque não garante fidelidade incondicional, especialmente em se tratando do PMDB.
Justamente ao PMDB, maior partido de sustentação, Dilma ofereceu sete ministérios, um recorde. A reforma ministerial e o enxugamento dos gastos não passam de propaganda enganosa. Mas o vice-presidente, o peemedebista Michel Temer, lava as mãos e se recusa a indicar nomes. Quer se isentar. Os caciques do PMDB têm seus próprios propósitos: tomar o lugar de Dilma, e não a ajudar. Isso está escrito nas entrelinhas das últimas propagandas partidárias e nas intensas conversas com líderes da oposição.
O próprio PT mais atrapalha do que ajuda Dilma, e corrói sua base. Reclama publicamente da perda de espaço. Inclusive alguns setores do partido estão abertamente criticando o ajuste fiscal e pedindo a saída do ministro Levy, enquanto pressionam para manter seus cargos nos ministérios de maior orçamento. Orientada por Lula, entretanto, Dilma aposta em afagar seu maior aliado, o PMDB, para tentar alguma sobrevida. Se dependessem só da força do PT, já poderiam desligar os aparelhos.
Para aumentar o poder de articulação, quem está dando as cartas e indicando os nomes para o núcleo duro do governo é Lula, a eminência parda da gestão de Dilma. A troca de Mercadante por Jaques Wagner e a permanência de Edinho Silva, além de outros nomes, têm o dedo de Lula. Os nove dedos. Mais uma evidência da fragilidade de Dilma e de sua falta de liderança.
Enquanto isso, o próprio Lula fica cada vez mais enredado pelas investigações da Lava Jato e seus desdobramentos. Ontem foram divulgadas evidências pela PF de que em seu governo as montadoras de automóveis foram beneficiadas por Medidas Provisórias para incentivar as vendas, como a redução do IPI, pelo que teriam pago milionárias gorjetas a dirigentes petistas, inclusive a um dos filhos de Lula. E nos Estados Unidos, até Bill Gates está processando a Petrobras, por perdas em seus investimentos decorrentes da corrupção na estatal. Fora o que se ouve todos os dias nos jornais, que está nos envergonhando perante o mundo como nunca antes na história.
E nada disso, o Brasil sangrando e a economia despencando, tendo como causa principal a crise política e a gestão desastrosa e corrupta do PT, evidências, delações e provas da monstruosa corrupção petista pipocando diariamente por todos os lados, nada disso é suficiente para levar Dilma e o PT a um gesto de grandeza para dar uma nova esperança à nação. Não. Sua prioridade não é o Brasil. É se manter no poder, custe o que custar. Até porque o que for que venha a custar, não serão eles a pagar. Seremos nós. Melhor, já estamos sendo, faz tempo.
Importante
Neste domingo, pegue seu título de eleitor e vá votar no seu Conselheiro Tutelar.

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