Segunda-Feira, 27 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Aprendizado
A eleição do Conselho Tutelar, no último domingo, demonstrou que Alvorada ainda tem muito a aprender e a evoluir, em relação a cidadania, observância às leis e ambiente político. A participação da sociedade foi tímida. Votaram 9.447 eleitores, menos de 7% do colégio eleitoral do município. O fato de a votação ser facultativa foi determinante, mas também a falta de informação sobre a relevância do Conselho contribuiu para a baixa adesão, além da própria divulgação do processo eleitoral, muito limitada. A grande maioria da população sequer tomou conhecimento da eleição, ou para que se destinava.
Terra sem lei
Quanto ao respeito às regras e à legislação, algumas campanhas promoveram um espetáculo de vergonhas. Há relatos de participação ativa de políticos e partidos, o que é vedado, que mobilizaram suas equipes tanto para a promoção de candidatos apadrinhados quanto para oferecer facilidades a eleitores em troca do voto. Grande quantidade de veículos e motoristas circularam durante todo o dia, fazendo trilha entre casas de eleitores e seus locais de votação, entre outras irregularidades. Alguns candidatos, sentindo-se prejudicados, avaliam recorrer ao Ministério Público.
Disfunção
Os conselheiros tutelares têm uma grande responsabilidade, e sua função é vital para a garantia de direitos de crianças e adolescentes, especialmente as mais vulneráveis. Sobretudo em Alvorada, com seus alarmantes indicadores sociais. Quando este ambiente também é contaminado pela política, tendo conselheiros agindo como cabos eleitorais ou, eles mesmos, fazendo lá dentro suas próprias campanhas, usando o Conselho Tutelar como trampolim para cargos mais altos, compromete-se gravemente a eficácia do órgão e o cuidado às crianças desprotegidas.
Bons exemplos
Houve também, naturalmente, campanhas honestas e efetivamente comprometidas com a causa da proteção das crianças. Estas devem ser valorizadas e servir de modelo para, continuamente, aprimorarmos a atuação do Conselho Tutelar.
Dúvida
Se as eleições convencionais também fossem facultativas, a participação dos eleitores seria igualmente tão inexpressiva?
Queimando
Dilma Rousseff preferiria que esta semana não tivesse existido. Com seu governo se esfarelando, percebe o entorno igualmente ruindo. O Congresso, com a ajuda da base aliada, se recusa a apreciar seus vetos a projetos que dificultam o ajuste fiscal. A distribuição de cargos na reforma ministerial não garantiu a fidelidade esperada. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu investigar as contas da campanha, suspeitas de abuso de poder econômico e uso de dinheiro sujo. O Supremo Tribunal Federal sepultou a tentativa de adiar mais uma vez o julgamento das pedaladas fiscais pelo Tribunal de Contas da União. O TCU não se dobrou à intimidação do governo e rejeitou a manobra de afastar do caso o relator Augusto Nardes. Por fim, as contas do governo de 2014, repletas de pedaladas e rombos bilionários, tiveram reprovação unânime e inédita pelo TCU. Todos esses episódios estão funcionando como gasolina jogada na fogueira do impeachment.

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