Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Lula no comando
O ex-presidente assumiu as rédeas do governo, por trás dos panos. Tem passado mais tempo em Brasília do que em seu triplex em São Paulo. Foi quem comandou, nos bastidores, a reforma ministerial que entregou sete ministérios ao PMDB e emplacou seu afilhado Ricardo Berzoini na Secretaria de Governo, manteve outro pupilo, Edinho Silva, na Secretaria de Comunicação, e colocou Jaques Wagner na Casa Civil, onde estava o desafeto Mercadante, que recebeu como prêmio de consolação o Ministério da Educação.
Vale tudo
Como Dilma Rousseff não governa mais, não tem habilidade política nem administrativa, e não é ouvida nem mesmo por sua própria base, foi preciso Lula agir para que o PT não fosse defenestrado de vez do Planalto. Habilidoso negociador, que não tem limites em suas ofensivas, está costurando acordos com os líderes dos partidos da base para garantir que não prospere no Congresso um eventual processo de impeachment.
Afagos no inimigo
Lula inclusive tem enviado emissários para conversar com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que vinha representando grande perigo ao governo, já que se posicionou como opositor político de Dilma e passa por suas mãos a decisão de arquivar ou dar encaminhamento aos pedidos de impeachment de Dilma apresentados à Câmara.
Melhor defesa é ataque
Já Eduardo Cunha, acuado pelas crescentes denúncias de corrupção, vem perdendo força no comando da Câmara, e já avisou que não vai cair sozinho. Ou se abraça ao governo, para se salvarem uns aos outros, ou cai atirando, distribuindo acusações e denúncias a tantos quantos tenham trabalhado por sua derrocada. A sanha insana pela permanência no poder, tanto por parte do governo petista de Dilma Rousseff quanto, agora, de Cunha, ainda vai proporcionar muitas vergonhas à nação. Essa gente tem só um propósito, e que não é o bem-estar do Brasil.
Próximo alvo
A nova investida de Lula é contra Joaquim Levy, o ministro da Fazenda que vem se sacrificando para tentar recuperar as contas do governo, que foram acumulando déficits bilionários ano a ano, e acabaram levadas ao caos no ano passado, quando se gastou muito além do possível para apresentar aos eleitores um Brasil bonitinho e, com isso, viabilizar a reeleição de Dilma. Lula considera que Levy está muito preocupado em mostrar resultados para o mercado, o que tem desagrado a militância do partido. Líderes petistas já dão seus dias como contados.
Remendo ministerial
A anunciada reforma que Dilma promoveu na Esplanada dos ministérios evidencia o pouco-caso com os assuntos de interesse da nação. A “Pátria Educadora” já está com o terceiro ministro da Educação em menos de um ano. Mercadante foi deslocado para lá só por causa da acomodação de cadeiras, cujos movimentos têm o único propósito de rearranjar a base política para preservar Dilma na presidência. O caldeirão do impeachment está fervendo, e essa é a prioridade em Brasília, não as necessidades do país. Com a economia despencando, os negócios encolhendo, desemprego aumentando, inflação voltando, cortes de verbas públicas em todas as áreas essenciais, como saúde, segurança e educação, aquele povinho lá de cima continua ignorando o que a nação espera deles. É por isso que, mais uma vez, vai ter povo na rua, em algumas semanas.

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