Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Nem aí
As invasões de áreas públicas e privadas no município estão a pleno vapor. Já se aproximam de vinte as áreas invadidas, inclusive em zonas de preservação ambiental, como a do Distrito Industrial, e as autoridades competentes continuam fazendo corpo mole. Empresários se queixam, com razão, que sobre eles a fiscalização é rigorosa, sendo sujeitos a pesadas multas por danificarem pés de maricá, mas sobre os invasores, que não observam qualquer limite com relação a dano ambiental ou à propriedade alheia, paira a conivência das instituições.

Cala e consente
O drama social vivido por famílias que não têm teto não se resolve acobertando, ou mesmo incentivando, a ilegalidade. Invasão de propriedade é a forma errada de se resolver a crise habitacional. Quem é conivente com esse tipo de atitude fomenta o crime, ainda que sob o argumento do “interesse social”.

Interesses
A preocupação com o descontrole sobre a ação dos invasores é agravada pelos rumores de que agentes públicos pudessem estar beneficiando as invasões. Se não diretamente, ao menos através da omissão a administração pública se torna corresponsável pelas consequências trazidas por essa prática ilegal. Invasões desestimulam a atividade econômica, intimidam empresários e moradores, inibem o investimento imobiliário e, de quebra, geram um ambiente de insegurança, que em nenhum cenário é benéfico. Espera-se de todo gestor público que zele pela ordem e pela legalidade. Uma eventual animosidade com alguns eleitores que estejam entre os invasores jamais poderia servir de pretexto para se permitir o desrespeito à lei e à propriedade.

Surreal
O Brasil está amarrado pelas mãos de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha. A única agenda da presidente é escapar do impeachment e da cassação. A prioridade de Cunha é preservar a presidência da Câmara e o mandato de deputado. Dilma não pressiona pela queda de Cunha para que ele não apresse a aceitação do pedido de impeachment assinado pela oposição, enquanto Cunha não dá andamento à tramitação do impeachment para não irritar o governo e levar os partidos da base a abreviar seu mandato. Enquanto isso o Brasil segue piorando sua recessão, o PIB ensaia três anos consecutivos de queda (-3% em 2015), o governo deixa um rombo de mais de R$ 50 bilhões nas contas deste ano no déficit primário, além de mais de R$ 500 bilhões que terá que pagar de juros sobre a dívida pública (levando o déficit nominal a se aproximar de R$ 600 bilhões)... e assim segue a nação assistindo os caciques da política nacional empurrando o Brasil com a barriga até onde seus rabos permitirem, presos que estão a uma infinitude de vergonhas.

Tragicômico
O Congresso adia a votação de projetos do ajuste fiscal proposto por Joaquim Levy, com o dúbio discurso de que não aceitam aumentar a carga tributária. Afirmam que o governo deve reduzir custos, mas vão construir um prédio anexo com mais gabinetes para os parlamentares e seus assessores, ao custo de R$ 600 milhões, e ainda um shopping junto ao Congresso que custará mais R$ 1 bilhão. Enquanto isso, Dilma quer ressuscitar a CPMF e até legalizar dinheiro sujo depositado no exterior para repatriar e assim reforçar o caixa, mas ainda não demitiu nenhum dos mais de 100 mil CCs lotados na administração federal... Tem como confiar em qualquer coisa que essa gente diga?

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