Segunda-Feira, 24 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Pra torcida
O anúncio da redução temporária dos salários do prefeito, em 20%, e dos 17 secretários municipais e secretários adjuntos, em 10%, não tem a pretensão de causar impacto financeiro, mas político. Baseados nos números disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura, cálculos preliminares indicam uma economia mensal de cerca de R$ 25 mil com esta medida, o que, até o final do próximo ano, se mantida a redução até lá, representaria cerca de R$ 370 mil. Para efeito de comparação, o total gasto em 2014 só com a folha de pagamento de todo o quadro, o que inclui todo o funcionalismo municipal, aposentados, pensionistas e os respectivos encargos sociais, foi de R$ 151,8 milhões. O orçamento total daquele ano foi de R$ 538 milhões. Outra comparação: o salário do prefeito de Porto Alegre é de R$ R$ 17 mil.

Na prática a teoria é outra
Também foram anunciados cortes em outras áreas, como despesa com gasolina e vagas para estagiários, entre outros. Mas não foi cortado sequer um Cargo em Comissão, o famoso “CC”. O atual governo, quando ainda em campanha para eleição, criticava a gestão anterior pelo excesso de CCs, mas, logo após a posse, tratou de ampliar as vagas e ainda criou um cargo novo, o de Secretário Adjunto para cada secretaria, com um salário de R$ 5,5 mil. Com a redução de 10%, passa a R$ 4,9 mil. Segundo dados do SIMA, passam de 600 os Cargos em Comissão, onde estão incluídas as Funções Gratificadas.

Prioridade
O governo do Professor Serginho, como era de se esperar, não mexeria nestes CCs. São importantes dentro da estratégia de aparelhamento da máquina pública, e precisam estar sendo remunerados, com o nosso dinheiro, para estarem suficientemente motivados para ir à rua na campanha eleitoral do próximo ano. Além, claro, da contribuição mensal que cada um dos CCs faz ao respectivo partido, que ajuda a engordar o caixa dessas siglas, que também estão se mobilizando para a próxima campanha. Um corte no número de CCs, apesar de atender às expectativas da sociedade, iria criar algumas dezenas de contrariados políticos e possíveis dissidentes partidários, além de comprometer a arrecadação dos partidos. Como já dissemos em outra oportunidade, a prioridade de um político e dos partidos que aí estão é a eleição. A segunda prioridade é a reeleição. O interesse público costuma ser deixado para mais adiante.

Filho de peixe
Enxugamento sim, mas só no que tem alguma visibilidade. Não no essencial. Não é de estranhar que em Alvorada tenha sido assim, porque em Brasília, ocupada pelo mesmo partido, a prática também é essa. Ainda que sob uma tremenda pressão popular, a última reforma administrativa anunciada por Dilma, não passou de meros anúncios sem qualquer efeito prático. Nenhum dos mais de 100 mil Cargos em Comissão da administração federal foi extinto, mesmo Dilma tendo anunciado que cortaria cerca de 3 mil (o que já não era lá grande coisa...).

Coincidências
A juíza que autorizou a busca de documentos no escritório do filho caçula do ex-presidente Lula, dentro das investigações da operação Zelotes, foi afastada do caso. O juiz que assume em seu lugar tem no currículo um arquivamento de processo contra a ex-ministra Erenice Guerra, em outra investigação. Erenice também é investigada na Zelotes.

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