Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Redução de salários: a reação
Segue a busca de assinaturas para o abaixo-assinado, em ritmo acelerado. Vereadores andam preocupados, a ponto de reagirem de maneira surpreendente. Ou não. Na verdade, certas reações eram previsíveis, conhecendo-se o histórico e o perfil de alguns desses nossos “representantes”. O fato é que estão incomodados, mesmo que uma eventual redução dos salários da elite política da cidade começasse a vigorar apenas na próxima legislatura. A reação, portanto, é reveladora, porque os que se sentem ameaçados têm a pretensão de ocupar novamente essas cadeiras a partir de 2017, sem comprometer privilégios.

Pergunta 1
Existem pontos na proposta que precisam ser melhor avaliados. A pergunta principal a ser feita, antes de se propor qualquer alteração no que quer que seja, deveria ser a seguinte: “O que queremos com essa mudança?” No caso da redução de salários, o que se busca? A eficiência na gestão pública ou um castigo para os maus políticos? O que é mais importante? O que mais interessa à sociedade?

Pergunta 2
Se a expectativa da sociedade é a de promover melhorias na gestão pública e torná-la mais eficiente (o que seria mais razoável do que somente pensar em revanchismo contra políticos incompetentes ou relaxados), é preciso fazer uma segunda pergunta: “A redução de salários vai trazer a eficiência que queremos?”

Perguntas 3 e 4
Isso seria um bom começo de uma discussão madura, responsável e democrática. Bem diferente do que alguns dos nossos vereadores estão apresentando, que não passa de truculência, soberba e indiferença ao sentimento das ruas. O que, aliás, é do perfil da velha política, e dos que se formaram politicamente nesse padrão, que também a sociedade vem demonstrando que quer substituir, por um novo jeito de fazer política e representar suas vontades. Os tempos mudaram, percebam os políticos ou não. A sociedade espera representantes mais alinhados com suas expectativas, porque afinal costumam ser eleitos com esse discurso. Portanto pergunta-se, ainda: “Serão nossos “representantes” vereadores capazes de, em algum momento, dialogar com a sociedade, e deixar sua zona de conforto de suas sessões semanais, caracterizadas por encenações e rituais pré-concebidos, onde tudo já é combinado previamente a portas fechadas? Terão a sensibilidade, que aparentaram ter em cada campanha eleitoral, de perceber as demandas e os anseios dos que os elegeram e construir soluções que venham ao encontro do povo que juraram representar e defender?”

Muita água pra rolar
Até março do ano que vem, quando deverá ser apresentado o projeto da redução dos salários para votação na Câmara, haverá ainda muita discussão sobre o tema. Será oportuno colocar na mesa a redução dos CCs, a escolha de secretários e outros servidores de indicação política com perfil profissional compatível com suas áreas de atuação, a criação de mecanismos de mensuração de resultados da administração pública, e tantos outros recursos que possam, efetivamente, contribuir para a melhoria da gestão pública. Isso é o que mais nos interessa, e que ainda não ficou claro se a simples redução de salários poderá garantir. Mas, para tanto, seria muito sensato, imprescindível até, um pouco menos de truculência desses nossos “representantes”.

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