Segunda-Feira, 27 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Antes tarde...
A decisão da administração municipal de extinguir o cargo de secretário adjunto, que havia sido criado pelo próprio prefeito Serginho no início de seu mandato, foi acertada. As vagas haviam sido criadas em cada secretaria, com salários generosos, para abrigar companheiros de partido e de siglas da base, inclusive de fora da cidade. Mas era previsível que o retorno para a sociedade seria mínimo, uma vez que a função já era exercida pelos diretores gerais de cada pasta. Agora, na hora do aperto, foi preciso cortar na carne. O que não foi nenhum avanço, é bom frisar, mas apenas uma correção de uma medida equivocada tomada lá atrás.

... do que mais tarde
Outra iniciativa correta do governo foi unificar secretarias, mas ainda há muito mais por fazer. Como já comentamos aqui (edição de 29 de maio), há “muito cacique” e pouca dança. Temos 17 secretarias, das quais algumas são apenas decorativas e outras meros cabideiros. No caso da eventual fusão de Obras com Serviços Urbanos, que ainda não se materializou, uma só pasta com gestão eficiente poderia ainda abrigar Planejamento Urbano e Mobilidade Urbana. A secretaria de Cultura, sem verba, bem que poderia voltar aos braços da Educação. Se há uma Secretaria Geral de Governo, agora momentaneamente incorporada à Administração, o que faz ainda uma Secretaria de Governo e Participação Cidadã? E o que produziu de resultados para o contribuinte a Secretaria Municipal de Direitos Humanos? E Meio Ambiente não poderia ser incorporada à de Desenvolvimento Econômico?

Só propaganda
Há algumas semanas o prefeito havia anunciado que também cortaria vagas de CCs, mas não mencionou números. Segundo o SIMA, passam de 600 os cargos de indicação política. Quando (e se) for cortado algum, não serão vinte ou cinquenta vagas que farão alguma diferença.

Só propaganda (2)
A propósito, Dilma também havia anunciado o corte de 3 mil cargos da administração federal, mas até agora ficamos a ver navios. Nenhum CC foi extinto, mesmo com a fusão de dois ou três ministérios. As vagas permanecem intocadas, agora amontoadas sob uma mesma pasta. E mesmo se tivessem sido extintas, que diferença isso faria diante de mais de 100 mil cargos?

Dilema
Difícil não é encontrar soluções para otimizar os poucos recursos de que dispõe o governo e promover uma administração mais enxuta, leve e eficiente. O complicado é convencer os ocupantes desses cargos políticos a abdicarem de suas generosas remunerações em prol de um projeto maior que beneficie a cidade ou o país. Como também sensibilizar os partidos que indicam os cargos a abrirem mão das contribuições descontadas desses salários que engordam os caixas partidários, e da militância que esses CCs são constrangidos a exercer nas campanhas. Tudo, lembre-se, bancado com o nosso suado dinheiro.

Mal acostumados
Seria esperar demais dessa nossa classe política, já tão habituada a se refestelar com o dinheiro do contribuinte. A lógica que predomina na cultura política brasileira, e na alvoradense, não coloca o interesse público em primeiro lugar. A militância partidária e as estratégias de robustecer os partidos quando se assentam no poder é o que tem impossibilitado a gestão pública eficiente, e decente.

COMENTÁRIOS ()