Quinta-Feira, 19 de Outubro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Celebridades
A crise política que se abateu sobre a cidade, causada pela falta de pagamento dos salários de dezembro de parte dos servidores municipais, e ainda o constrangimento de contrair empréstimo no Banrisul para receber o 13º, levou mais uma vez o nome de Alvorada pelo Brasil afora, e até para o exterior. Brasileiros que vivem em outros países souberam pela Globo Internacional e por sites de notícias que os servidores ocuparam a prefeitura e que a administração vai continuar parcelando os salários de dezembro, apesar de decisão judicial ordenando o pagamento integral, e não sabe muito bem o que fará nos próximos meses.

Que crise?
Os vereadores desconhecem que há dificuldades financeiras na cidade. Na última sessão, aprovaram por unanimidade a criação de mais 17 cargos de assessoria na Câmara, um para cada vereador, que terá um custo estimado de quase meio milhão de reais por ano. Interessante que mesmo os vereadores do PT e da base do governo, que deveriam estar sintonizados com o prefeito, não se importaram em aumentar os gastos do dinheiro público em plena crise.

Não cola
O argumento que o Legislativo tem orçamento próprio e a despesa adicional não impacta nas finanças do Executivo e, portanto, não atrapalha o pagamento dos servidores municipais nem a manutenção das vias públicas, entre outras responsabilidades da administração municipal, não convence. O dinheiro gasto pela Câmara também vem do contribuinte, e se não é gasto em coisas desnecessárias, é devolvido ao Executivo ao final de cada exercício. Além disso, há um exemplo moral, que os nobres vereadores também não se importaram em ignorar.

Curiosidades
Na reunião entre representantes dos servidores e o governo municipal, chamou a atenção a presença de secretários que pouco têm a ver com a discussão do cronograma de pagamentos dos salários, como Dorvalino Alvarez (Obras e Serviços Urbanos), Tiano Caduri (Desenvolvimento Econômico, antiga Indústria e Comércio) e Luis Carlos Silveira (Segurança e Mobilidade Urbana). Já os secretários da Fazenda e da Administração (Túlio Zamin e Ramiro Passos, respectivamente), que são diretamente relacionados à questão, esforçaram-se em defender a posição do governo, mesmo desmentindo as próprias declarações dadas em dezembro. Na época, Ramiro afirmou que a dificuldade para pagar salários em dia era um problema só do mês de dezembro, e que de janeiro em diante tudo voltaria ao normal. Hoje já se diz nas entrelinhas que o cenário é incerto e difícil para todo o ano, e que atrasos nos salários poderão ocorrer mais vezes em 2016.

Dois pesos
Servidores comentam sobre o silêncio da deputada estadual Stela Farias a respeito da crise de Alvorada. Stela tem sua base eleitoral na cidade, e em períodos eleitorais circula bastante pelo município. No decorrer do ano passado, foi crítica contumaz do governador Sartori, por conta do parcelamento dos salários dos servidores estaduais. Inclusive participou de manifestações como a Caminhada dos Servidores, organizada pelo CPERS, e diversas vezes usou a tribuna da Assembleia para defender os servidores dos “ataques do governo Sartori”. Seria coerente que usasse da mesma disposição para apoiar os servidores municipais de Alvorada, não fosse a necessidade política e partidária de dar suporte ao prefeito Serginho.

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