Quinta-Feira, 22 de Junho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Feliz Ano Novo
Diz a lenda que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Piadas e exageros à parte, a frase não é de todo errada. Acerta quando se refere ao ambiente político, mas não se aplica às forças produtivas da nação. Empresas continuam produzindo riqueza e gerando renda durante os recessos da classe política (ainda que bem menos do que há tempos atrás, graças à desastrosa condução da economia do país pelas mãos do governo), mas não se dão ao luxo de desligarem as luzes e as máquinas e fecharem as portas como fazem nossos “representantes”. Trabalhadores (que ainda têm seus empregos) continuam exercendo suas funções e garantindo seu sustento, profissionais liberais seguem suando o rosto para comer o seu pão. Governos e políticos não produzem. Não geram riqueza. Apenas se utilizam da riqueza produzida pela sociedade, e se utilizam muito mal. Além das mordomias desproporcionais que garantem para si próprios durante o “período útil” do ano, ainda se permitem cruzar os braços por longos períodos, sem qualquer preocupação com a continuidade de seu sustento ou o comprometimento de seus privilégios. A sociedade, que segue produzindo a riqueza da nação, continua pagando a conta.

Contando os dias
Há situações, entretanto, que aquela lenda chega a ser um eufemismo. Uma amenidade. Uma irônica gentileza. Há situações em que o ano não começa nem mesmo depois do carnaval. Veja o caso, por exemplo, da administração do município de Alvorada. A nova gestão, empossada em 1º de janeiro de 2013, até agora, três anos depois, não mostrou o que veio fazer. Ainda estamos esperando começar o ano de 2013. Passaram-se três quartos do mandato e o que assistimos foi o pouco que a cidade ainda tinha se deteriorando. E restam pouco mais de dez meses para encerrar esta gestão. Conseguirão realizar quatro anos em menos de um?

Urgências
Internamente, porém, as atividades foram frenéticas. Nos corredores da prefeitura e nos gabinetes das secretarias, assim como pelos espaços da Câmara de Vereadores, houve bastante pressa, já nos primeiros dias do novo mandato, para resolver as contratações dos amigos e dos filiados dos partidos vencedores. E até de alguns partidos perdedores que se renderam aos encantos do poder e habilmente negociaram sua adesão ao governo já no dia seguinte à derrota nas urnas. Os cargos de confiança, estes sim, foram loteados em caráter quase emergencial. E não bastando isso, logo a seguir foram criadas mais algumas vagas, para abrigar mais companheiros e aliados. Com muita urgência. Afinal, o novo governo tinha pressa, como dizia na campanha.

À deriva
Este é um dos cenários do teatro político brasileiro. Revela, sem máscaras ou fantasias, o que são as prioridades de boa parte do segmento político. Não é o interesse público. Não é a eficiência da gestão pública. Não é o uso racional, honesto e justo dos recursos produzidos pela sociedade e extorquidos pela máquina arrecadadora, que deveriam se transformar em serviços de excelência e qualidade de vida da população. Não. A prioridade deles é o próprio bem-estar. O Brasil está parado, na verdade indo de ré, porque tem um governo que não governa e só tem um objetivo: escapar da destituição. Alvorada também anda pra trás, porque não tem um governo. Tem apenas uma classe política que se assentou no poder e tem como prioridade se manter por lá. Fomos largados à própria sorte.

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