Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


A sinaleira e os seus sinais

No último sábado, houve a “inauguração” de uma sinaleira em Alvorada... Sim, por mais inusitado que isso possa parecer, houve uma “inauguração” de uma sinaleira, nas imediações da parada 63 da Getúlio Vargas. Com cerimonial, discursos, aplausos e fotos. Não havia plateia. Apenas os agentes políticos e seus assessores. Os discursos foram para si próprios. Os aplausos também.

Mesmo na flagrante e vergonhosa ausência de algo significativo que pudesse ser apresentado à cidade, o governo municipal não economiza esforços para construir uma imagem de realizações. Ainda que elas não existam. Daí esses acontecimentos pitorescos. Inauguração de sinaleira, solenidade para apresentação de uma pequena máquina para... pintar asfalto! Mesmo que quase já não haja asfalto para ser pintado. Aliás, nos poucos trechos em que ela poderia ser utilizada, não se percebeu até agora qualquer renovação da pintura de faixas de pedestres, de sinalização horizontal, de estacionamento. Comprou-se uma máquina apenas para fazer uma solenidade de apresentação e algumas fotos, e seu destino foi o galpão. Ou teria sido devolvida? Teria mesmo vindo só para essa ação publicitária?

Outro dia foi inaugurada, com pompa e circunstância, e cerimonial, discurso, aplauso e foto, uma placa de “pare”. Sim, foi isso mesmo. Está documentado. As fotos e um texto bem escrito que descreve o grande momento foram publicados no site da prefeitura e espalhados nas redes sociais. Assim como a propaganda da inauguração da sinaleira, e da apresentação da máquina de... pintar asfalto.

A sinaleira, depois da inauguração, causou mais transtornos ao trânsito do que havia antes dela. Filas quilométricas de carros em ambos os lados. Uma obra-prima da incompetência. Mas que a equipe de comunicação da prefeitura não se intimidou em tentar transformar em um grande feito. Mas seus sinais são claros. Mostram claramente o perfil deste governo.

As primeiras reações foram previsíveis. Proliferaram críticas à administração. O povo fez questão de dizer que não é criança, e não pode ser tratado como tal. O povo reclamou das tantas necessidades da cidade, e de como Alvorada vem se deteriorando, e do seu desencantamento com a administração. Afinal, antes da última eleição, os discursos eram animadores. As promessas de uma cidade que iria finalmente decolar ficaram no chão. Muito diferente do que foi prometido, a cidade não avançou. Nem mesmo ficou parada. Ela regrediu. E os discursos, aplausos, fotos e belos textos de autopromoção não foram capazes de convencer o povo do contrário do que ele vê à sua frente todos os dias. Nas ruas em que transita, nas escolas que seus filhos frequentam. Na farmácia municipal, nos postos de saúde. Tudo é tão diferente da última propaganda eleitoral, e da atual propaganda oficial, que parece estar sendo feita em 2012, apenas trocando o verbo “faremos” por “fizemos”. Mesmo que, tanto lá quanto agora, não houvesse nada de real para apresentar. Antes eram promessas. Agora, fantasias.

Está sendo uma maneira triste de fazer evoluir a democracia e a cidadania em Alvorada. Estamos aprendendo, na dor e na decepção, que belos discursos não fazem nada acontecer. Que promessas não resolvem os problemas da cidade, e que gestão, algo que a atual administração não sabe do que se trata, é o que faz uma cidade avançar. Não é a política.

Estamos aprendendo. A duras penas, mas estamos. Saberemos escolher melhor da próxima vez?

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